ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 13/07/2021

No filme americano “Raya e o último dragão” é retratada a realidade distópica do povo de Kumandra, que convive diariamente com os problemas e dificuldades provocados pelas desigualdades do país. Não distante da ficção, no Brasil, grande parcela da população enfrenta os desafios das desigualdades entre as regiões. Nesse contexto, ao invés de afastar-se da realidade vivenciada pelos habitantes de Kumandra, o futuro brasileiro aproxima-se do caos relatado no filme. Sob essa ótica, apontam-se como empecilhos à consolidação de uma solução  a má influência midiática e a ausência de investimentos nas regiões mais desiguais do país.

Convém ressaltar, a princípio, a má influência midiática como parte da problemática. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, ao invés de elevar o nível informacional dos cidadãos informando-os sobre a disparidade da realidade de parcela expressiva da população brasileira, as mídias falham no seu papel informativo corroborando para a concretização do problema. Dessa forma, as desigualdades vivenciadas no país tornam-se intrínsecas e cada vez mais difíceis de serem solucionadas.

Outro ponto relevante nessa temática é a ausência de investimentos nas regiões que mais sofrem com as desigualdades. Segundo dados de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as regiões Norte e Nordeste são responsáveis ​​por apenas 18 por cento do Produto Interno Bruto do país. Nesse sentido, nota-se que há um percentual baixo de investimentos econômicos nessas localidades, contrastando diretamente com o tamanho dessas regiões que ocupam mais da metade do território brasileiro. Sendo assim, perpetuam-se as condições de exclusão dos habitantes desses estados.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange à má influência midiática. Assim, o Ministério da Cidadania, em conjunto com ONG’s especializadas no assunto, deve desenvolver ações que visem reverter os problemas provocados pela má influência midiática. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as condições reais da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos dos governantes e habitantes das regiões mais afetadas pela problemática. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar e dar visibilidade a ação, a fim de conscientizar a população sobre os problemas ocasionados pela má influência midiática. Talvez assim, a realidade vivenciada em Kumandra fique apenas na ficção.