ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 15/07/2021

A colonização brasileira iniciou-se do litoral para o interior e cada região foi evoluindo de forma diferenciada. De maneira análoga, hodiernamente, essa diferença ainda persiste, haja vista as cidades no Brasil serem extremamente desiguais. Nesse sentido, não há dúvidas de que o desafio de reduzir as desigualdades de regiões no Brasil é um problema, o qual ocorre devido não apenas à falta de planejamento no desenvolvimento econômico do país ao longo da sua história, mas também à globalização.

Vale pontuar, de início, que a evolução econômica da nação ocorreu ao acaso. Nessa perspectiva, de acordo com o historiador Eduardo Galeano, o ouro deixou fábricas na Inglaterra, templos em Portugal e buracos no Brasil. Sob essa ótica, observa-se como a falta de planejamento econômico ao longo da história brasileira deixou mazelas até os dias atuais, como os altos índices de desigualdade regional que o território possui. Prova disso são os investimentos em rodoviarismo feitos no século XX no Sudeste, os quais eram concentrados, logo, contribuindo para uma maior desigualdade, e também isoladores, tendo em vista que para uma maior integração o modal ideal é o ferroviarismo. Diante disso, percebe-se que esse contexto é condicionado por heranças e erros históricos.

Além disso, o outro fato que contribui para essas diferenças é o processo de globalização. Em concordância com o geógrafo brasileiro Milton Santos, a globalização atua na acentuação das desigualdades espaciais. Nesse sentido, a modernização ocorre em regiões que são historicamente favorecidas, elevando as diferenças. Exemplo disso é a região Centro-Sul, a qual é a mais moderna e, ainda assi, a primeira a captar inovações tecnológicas, pois possui as melhores faculdades, empresas e hospitais. Com isso, há sempre uma diferença em qualidade de vida em relação ao resto do país.

Fica evidente, portanto, que a má gestão econômica e a globalização são desafios para a desigualdade regional. Logo, faz-se necessária uma ação do Estado, tendo em vista ser o principal ator social, por meio do Ministério da Economia e do Ministério do Transporte, propiciando pólos industrais com incentivos fiscais para as regiões menos favorecidas, assim, atraindo mais desenvolvimento. Além disso, desenvolver novos modais de transportes como ferrovias, que não apenas facilitarão o escoamento da produção, mas também irão integrar mais as regiões. A partir disso, esse contexto minimizará, gradativamente, ocasionando uma sociedade mais justa.