ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 13/08/2021
Na obra artística de Candido Portinari, Retirantes, é retratado a vida de uma família que se retira da região do Nordeste na qual precisam lidar com a miséria e buscam condições melhores de vida ao Sul. Analogamente, tal representação se enquadra nos dias atuais, onde pessoas de regiões nordestinas, acabam migrando para regiões mais ao sul, aonde há um maior desenvolvimento economico e tecnológico, tornando-se capazes de obter uma melhora na qualidade de vida. Portanto, diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a desigualdade entre as regiões do Brasil. Nesse sentido, a imensa falta de responsabilidade que os políticos locais possuem é gigante, visto que fatores como a seca e a extrema pobreza afetam áreas como os investimentos gerais, já que os investidores acabam tendo uma visão má do nordeste, pensando que é uma terra sem futuro e sem capacidade de evoluir e crescer. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a igualdade, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de uma educação de qualidade como impulsionador da desigualdade no Brasil. Segundo dados do IBGE, em 2019, uma pesquisa mostrou que a taxa de analfabetismo está em 6,6%, o que corresponde a 11 milhões de pessoas, sendo que mais da metade (56,2% ou 6,2 milhões) vive na região Nordeste. Diante de tal exposto, é perceptível a falta de investimento na área educacional nordestina, visto que 56,2% dos analfabetos são do nordeste. Além disso, fatores como a fome perpetuam a décadas no nordeste e acabam, também, atrapalhando o desenvolvimento local. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo brasileiro, por intermédio de ONGs e investidores, promovessem os investimentos tanto nas áreas públicas quanto privadas na região nordestina, a fim de fornecer a capacidade de desenvolvimento tanto tecnológico como economico da região do nordeste. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.