ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 14/08/2021

O poema “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, alude acerca da trajetória de Severino, que representa outros nordestinos, os quais, como ele, passam privações impostas ao sertão. Ao se fazer uma analogia com a obra, nota-se o desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil, onde os direitos inerentes aos cidadãos são diariamente negados. Isso se dá pela letargia estatal e pela banalização sensacionalista da mídia. Para o filósofo Rousseau, o Estado é responsável por promover bem-estar social. Entretanto, a perspectiva defendida pelo intelectual não se concretiza no Brasil, haja vista a ineficiência das políticas públicas que visam a garantir o princípio da isonomia entre as regiões. Uma prova disso é o corte de programas , como o “Bolsa Família”, e extinção do “Fome Zero”, os quais foram desenvolvidos com o objetivo de diminuir as hostilidades entre os lugares menos e mais favorecidos do país, com benefícios concedidos em sua grande maioria no Norte e Nordeste. Desse modo, nota-se um projeto de estado, desde as “caravelas”, em que segrega, prioriza ou exclui determinada área, levando em consideração a sua importância econômica, a exemplo do auge da “cana de açúcar em Pernambuco, “ciclo da borracha” na Amazônia. Além da ineficiência das políticas públicas, a banalização das desigualdades entre as regiões está relacionada diretamente ao preconceito, uma vez que a mídia “representa” persornagens de forma cariacata e generalizada. Isso fica evidente com o esteriótipo de personagens de determinados espaços geográficos do Brasil, a exemplo do Nordeste como um “grande sertão”, e como as redes de televisão mostra culturas regionais como algo exótico, evidenciando, assim, o preconceito e acentuando as desigualdades. Nesse sentido, o sociólogo Guy Debord, no livro “A Sociedade do Espetáculo”, aborda a influência midiática no corpo social, a qual se mostra na tentativa de “imitação” coletiva do modelo proposto e tem como reflexo a interferência nas relações humanas. Embora o exemplar não trate com âmago sobre a equidade territorial, nota-se o sensacionalismo estereotipado. Dessa forma, nota-se o descaso do governo e a banalização das disparidades como impulsionadores da desigualdade nas regiões do Brasil. Assim, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para a Amazônia e para o Sertão nordestino, de modo a desenvolver a atividade econômica auto sustentável, por meio do turismo ecológico, e da inclusão de seu objetivo na base de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de promover a equidade entre as regiões. Além disso, é preciso a mudança de posicionamento das Mídias frente ao entrave, para isso, elas devem promover o debate na sociedade, por meio de propagandas em jornais, tv, rádio sobre preconceitos linguísticos e regionais. Desse modo, será possível reduzir as disparidades locais no Brasil.