ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 10/08/2021

O Brasil, única colônia que permaneceu em unidade comparada as colônias espanholas que se fragmentaram em diversas nações, é hoje um país com extensões continentais. Devido a isso, equiparar as distinções entre as diversas regiões configura-se um grande desafio que necessita de intervenções. Entre os fatores relacionados a esse infortúnio, destacam-se as questões históricas e o sistema atual de governo de intervenção mínima estatal.

A priori, torna-se válido apresentar os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que evidenciaram um menor rendimento “per capita” das regiões Norte e Nordeste, comparados as regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste no ano de 2019. Cabe analisar, dessa forma, fatores históricos responsáveis por essa realidade. Uma vez que, desde o princípio, o desenvolvimento do Brasil não se deu de maneira igualitária em todas as regiões, desde o ciclo da cana de açúcar no Nordeste ao ciclo do café, no qual houve o início da concentração contingencial e econômica, no Sudeste. Nesse sentido, as tentativas de governo com a finalidade de mitigar essa disparidade, mesmo com a criação de Brasília, no plano de metas de Juscelino Kubitschek, foram tímidas e insuficiente para fazer jus a tamanha diferença.

A posteriori, cabe perceber a influência do sistema de governo neoliberal na problemática. De acordo com o filósofo Jean-Jacques Rousseau, em seu livro " Do contrato Social" quanto menos felicidade a república é capaz de proporcionar aos cidadãos, mais eles terão que buscar individualmente a felicidade. Em paralelo a essa máxima, percebe-se que no Brasil, devido ao sistema econômico neoliberal atual, o poder público transfere à economia de mercado a satisfação de determinadas carências do cidadão, que devem provê-las a partir do próprio esforço individual. Isto é, o Estado se omite da responsabilidade de integração e desenvolvimento das regiões mais carentes, deixando-os a mercê da economia, a qual não é capaz de sozinha de desfazer as consequências de um desenvolvimento desigual.

Tornam-se evidentes, portanto, os entraves de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil. Em razão disso, é imperioso que o Governo Federal desenvolva políticas de incentivo econômico para as regiões mais desfavorecidas socialmente, por meio de programas de desenvolvimento em áreas que alavanquem suas economias, como as de sustentabilidade, revolução científica e tecnológica, a fim de progressivamente equiparar as cinco regiões do país. Ademais, é mister que o Estado fortaleça seu comprometimento de suprir as carências dos seus cidadãos, por intermédio de uma inovação no seu sistema econômico, pondo como premissa o bem estar social.