ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 11/08/2021

A filósofa Lúcia Helena Galvão afirma que os seres humanos se diferenciaram de outros humanoides da era pré-histórica e conseguiram sobreviver e evoluir como espécie somente por causa da capacidade de cooperação e de empatia que desenvolveram. Entretanto, tais valores não estão presentes nos aspectos socioeconômicos das regiões do Brasil, haja vista que são marcados por uma clara desigualdade. Nesse sentido, emerge um problema em função da negligência do governo e da mentalidade social.

Sendo assim, em primeiro plano, vale destacar que a maneira como o governo lida com a questão é uma evidente causa da problemática. De acordo com a Teoria do Contrato Social de John Locke, os indivíduos de uma sociedade cedem parte de sua liberdade ao Estado a fim de que ele lhes garantam direitos básicos. Porém, tal relação não é efetivada no contexto da desigualdade entre as regiões do Brasil, pois a diferença de investimento e de fiscalização do governo entre as regiões brasileiras proporcionam enormes discrepâncias na educação, na segurança e na qualidade de vida das populações de cada região.

Ademais, a mentalidade social é um agravante para a problemática. Segundo o filósofo grego Platão, o Estado perfeito é aquele cujos governantes exercem suas funções de forma moral, ou seja, que trabalhem para beneficiar a população como um todo e não somente a eles mesmos. Ainda em conformidade com o filósofo, isso só seria possível caso os cidadãos possuissem os mesmos valores e mentalidade. Portanto, é evidente que o modo pouco consciente como a maior parte da população encara o problema contribui para que pessoas distantes da moral platônica sejam eleitas e perpetuem ações que agravam a desigualdade social e econômica entre as regiões do Brasil.

Dado o exposto, fica claro que uma intervenção faz-se necessária. Para tal, cabe ao governo - principal responsável por garantir os direitos da população - afiançar que seus invesmentos sejam destinados a cada região conforme a sua precariedade por meio da criação de leis e da fiscalização de cada estado, a qual além de avaliar a necessidade de verbas para determinada região, também irá assegurar a qualidade dos serviços prestados pelo governo em todo o país. Tudo isso para que a desigualdade existente entre as regiões do Brasil seja diminuída ao máximo.