ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 21/08/2021
Hodiernamente, tem se discutido frequentemente as grandes disparidades de desenvolvimento entre as regiões do Brasil. Fato é que essas diferenças já vêm desde o período colonial, quando algumas capitanias hereditárias eram privilegiadas, principalmente pelos investimentos recebidos, como São Tomé e Santo Amaro, atual Sudeste do país. Nesse sentido, as causas das desigualdades entre as regiões devem ser firmemente combatidas, haja vista a falta de representatividade política e a escassez de investimentos na saúde das áreas mais pobres.
Nessa conjuntura, é importante destacar o cenário político escasso de representantes das regiões menos favorecidas do país. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, o número de parlamentares da região Norte do Brasil, onde a pobreza atinge um dos mais altos níveis do país, é quase três vezes menor quando comparado ao da região Sudeste. Tal fato revela que vários locais do território, que necessitam urgentemente de auxílio em diversas áreas - como na saúde, na educação, na economia -, não tem suas bandeiras levantadas nos grandes congressos do poder público e, consequentemente, continuam estáticos em seu desenvolvimento, provocando um grande atraso para as gerações futuras.
Desse modo, vale também ressaltar a falta de investimentos do governo, nas regiões mais humildes, em um bem primordial: a saúde. Dados do CFM - Conselho Federal de Medicina - mostram que a escassez de profissionais da saúde é o maior problema, principalmente no Nordeste do país. A média de médicos por habitante nos estados do Maranhão e de Alagoas, por exemplo, é de 1,58 e 1,08, respectivamente, muito abaixo da média nacional, que é de 2,5 profissionais por pessoa. Isso se deve, especialmente, às consequências da pouca disponibilidade de recursos do governo à saúde, como a escassez de concursos públicos para a promoção de médicos e a paralização do programa Mais Médicos, da gestão Lula, em 2019, que trazia profissionais de saúde de diversas nacionalidades para atuarem nas regiões mais carentes. Isso necessita ser combatido pelas autoridades.
Portanto, tendo em vista a problemática atual, é essencial que o governo, em conjunto com o Ministério da Saúde, adote medidas que incluam as regiões mais pobres nos discursos políticos e melhorem o cenário da saúde nesses locais, como a disponibilização de mais vagas eleitorais, no Senado e na Câmara, para parlamentares das regiões Norte e Nordeste, por serem as mais necessitadas de auxílio e representação política. É cabível também o aumento dos investimentos na saúde, com a retomada concreta do programa Mais Médicos e grandes incentivos aos profissionais estrangeiros, como bons salários e benefícios de Vale Refeição e Vale Transporte. Só assim será possível que as desigualdades entre as regiões não sejam mais um problema no Brasil.