ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 20/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a desigualdade entre as regiões do Brasil torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela alta concentração de empresas na região sul e sudeste, seja pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ser maior nas regiões norte e nordeste, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que esse problema não leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente ao desafio de reduzir essas desigualdades regionais persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.

Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas a esse problema. Neste âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira", caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pela grande diferença do PIB (Produto Interno Bruto) entre o sudeste e as demais regiões brasileiras. Logo, é mister providenciar uma reconfiguração no ensino para formar indivíduos conscientes e autorreflexivos, capazes de intervir e melhorar a sociedade em que vivem.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver a problemática em questão. Diante disso, cabe ao Estado promover a criação de empresas com vagas destinadas às pessoas de baixa renda presentes nas regiões mais precárias do país, além de investimento em serviços essênciais, como o saneamento básico e o fornecimento de energia elétrica, sobretudo no Norte e no Nordeste. A ideia é que possa diminuir a vulnerabilidade social com a intenção de elevar o PIB e o IDH nessas regiões. Dessa forma, notar-se-á uma redução na desigualdade entre essas áreas.