ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 21/08/2021
Na segunda década do século XX, um movimento cultural brasileiro ficou marcado por entender o Brasil como ele é, e não como, de forma reduzida e superficial, vinha sendo tratado até então. O Modernismo, com destaque para a segunda frase, deixou como legado obras artísticas diversas, da Bahia de Jorge Amado ao Rio de Janeiro de Vinícius de Moraes. No entanto, apesar do evidente holofote gerado pelo movimento, essa diversidade do país está longe de ser um fato celebrado e valorizado por todos. Ela, na realidade, se configura em inúmeras desigualdades, sendo a regional uma delas, dadas as proporções geográficas continentais do nosso país.
Em primeiro lugar, pode-se evidenciar uma herança histórica cruel. Sabe-se que, desde o seu descobrimento, o Brasil foi ocupado a partir do litoral, fazendo com que essa parte do país fosse mais povoada e recebesse mais investimentos, além de ser também a mais industrializada. E isso não mudou, apenas se intensificou, como comprova uma pesquisa do IBGE que mostra que a renda per capta do Sudeste, a região mais desenvolvida, é cerca de três vezes maior do que a do Nordeste. Assim, reforça-se um abismo construído ao longo de séculos, e que não parece ser do interesse das elites detentoras do puder mudar, realocando boa parte do interior do nosso país a uma posição sem muito destaque.
Além disso, é evidente que a mídia possui um papel relevante nesse reforço de desigualdades. Não é muito difícil notar que a grande maioria dos produtos audiovisuais, como novelas, produzidas em nosso país têm como cenário as grandes metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo. Quando a Bahia, por exemplo, é o contexto da obra, é comum que ela seja retratada de forma estereotipada, com foco apenas nas belezas naturais e em alguns traços identitários, como o sotaque, como se fosse capaz de resumir o lugar em questão e sem levar em consideração pautas sociais de extrema urgência e importância. Assim, em um país tão imenso e diverso, construindo uma ideia reduzida do Brasil para os próprios brasileiros.
Portanto, fica claro que a desigualdade regional no Brasil se dá por fatores bastante enraizados e já naturalizados em nossa sociedade. Por isso, são necessárias medidas esmaecentes e para dirimir o problema. Desarte a isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com entidades midiáticas, inserir nos currículos escolares o destaque para a diversidade regional brasileira longe de estereótipos e visões preconceituosas pré-definidas, a fim de diminuir preconceitos. Isso poderia ser feito por meio do estudo eda riqueza de cada área brasileira e do quanto cada uma é responsável por construir quem somos. Assim, poderíamos valorizar a multiplicidade que só a nação verde-amarela tem.