ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 15/08/2021
Na obra literária “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, é mostrado a batalha diária de uma família humilde no sertão Nordestino. Fora da ficção, essa é a realidade de várias pessoas. Entretanto, esse fato social não ocorre apenas no Nordeste, mas também em outras regiões do Brasil. Podendo observar que tal prática é mais intensificada em algumas regiões, evidenciando, logo, uma disparidade entre estes polos regionais. Nessa perspectiva, torna-se como causa explícita desta desigualdade tanto os acontecimentos históricos que constituíram o espaço como se conhece hoje, quanto a falta de políticas públicas, na qual reverberou em desafios para reduzir as desigualdades regionais brasileiras.
A priori, desde o ínicio da colonização, houve uma concentração populacional no litoral do País, e ao decorrer da história, esse dado aumentou ainda mais, principalmente após a transferencia da capital para o Rio de janeiro e ao pontencial indústrial visto em São Paulo durante o século XIV e XX. Tal fator formentou em uma concentração monetária na região Sudeste, que influenciou em outras problemáticas. Segundo o IBGE, sete dos quase 5600 municípios do Brasil, concentram um quarto do PIB brasileiro em 2017. Apenas a cidade de São Paulo respondeu por 10,6% do total.
A posteriori do fato apresentado acima, a concentração na região Sudeste não é apenas monetária, mas também no âmbito da urbanização. Pode-se observar que as melhores universidades e hospitais estão na região Sudeste, deixando às demais regiões um sentimento de abandono por parte do Estado. Em consonância com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, alcance o equilíbrio na sociedade. Dessa forma, há uma parcialidade do próprio Estado, beneficiando regiões economicamente mais importantes e desamparando outras. Nesse sentido, a isonomia, orientada pelo filósofo, é descumprida, acarretando no desequilíbrio social, o qual se vivencia hoje.
Infere-se, portanto, os desafios de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil como um problema. Destarte, é necessário que o Estado criei instituições públicas em algumas áreas de todo território nacional, financiando projetos de pesquisas e ensino técnico, que além de qualificar a mão de obra - de interesse das indústrias - acarretaria em uma desenvolvimento urbano, que, com a ajuda de isenções fiscais, atrairía indústrias para demais regiões do Brasil, levando também a desconcentração indústrial e monetária. Além disso, é necessário que o Tribunal de Contas da União envie verbas que, por intermédio do Ministério da Economia, serão revertidas em auxílio às pessoas que vivem em regiões precárias, melhorando assim a vida da população necessitada. Só assim, as vidas, antes secas, irão se florir.