ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 17/08/2021

O livro de Graciliano Ramos “Vidas Secas” retrada a difícil realidade da população mais pobre que vive nas regiões do nordeste brasileiro, mostrando a seca, a pobreza e a necessidade de constante mudança em busca de uma vida melhor. Paralelo à história ficcional, o Brasil enfrenta hoje casos de desigualdade alarmantes quando se diz entre as regiões do país. Assim, seja pela xenofobia com regiões que possuem cultura diferente dos grandes centros, seja pelo crescente impacto da industrialização no processo de formação do país, a discrepância de renda e qualidade de vida entre as regiões do país cresce de forma silenciosa.

Em primeiro lugar, nesse contexto, a falta de informação apresentada sobre as regiões mais afastadas causa uma xenofobia preocupante no contexto brasileiro. Nesse sentido, é válido citar a narrativa sobre o “Mito da Caverna”, do filósofo Platão, no qual homens acorrentados viam somente o que se passava dentro da caverna e acreditavam que aquilo seria a realidade do mundo. Análogo à metáfora, a falta de informação em escolas, jornais e filmes sobre a realidade vivida no nordeste, por exemplo, sem a visão esteriotipada criada da região, proporciona o evidente preconceito para com os nordestinos e evidencia a problemática vivida no país.

Em segundo lugar, é preciso citar o contexto histórico em que a formação do país se dá como um todo e que, por sua vez, resultou tal desigualdade tão grande. Nesse contexto, desde a chegada dos portugueses em 1500 pelo litoral, mais precisamente na região entendida hoje como sudeste, essa se faz o principal centro econômico, cultural e de maior atenção no âmbito mundial. Não distante do fato citado, a região que compreende as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro tornaram-se epicentro da industrialização e, assim, melhores oportunidades de emprego e maior qualidade de vida.

Conclui-se, portanto, que, seja por contexto histórico, seja pela visão preconceituosa de uma perseguição estrutural, a desigualdade entre as condições de vida e oportunidade entre as regiões do país, fazem-se empecilho para um avanço como todo. Por isso, cabe ao Ministério da Educação garantir que o conhecimento sobre as regiões longe do grande centro do país -nordeste, sul, norte e centro-oeste- chegue a todos desde os primeiros anos escolares por meio da socialização acerca da cultura, culinária, modo de vida e sotaques, a fim de garantir maior integração entre as regiões, não só quando se diz em modelo de vida mas também como potenciais centros enconômicos. Só assim, seja possível garantir a redução das desigualdades entre os estados e, consequentemente, as regiões brasileiras.