ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 21/08/2021
A sério de livros “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, retrata um futuro distópico em que a sociedade foi dividida em distritos de um até doze, nos quais as condições de vida diferem baseado no valor associado ao distrito. Não longe do mundo da ficção, também é notável a diferença socieconômica ao longo do território brasileiro, de modo que as regiões Sul e Sudeste apresentam qualidade de vida superior às das regiões periféricas. Portanto, essas regiões não têm o necessário para poderem ascender socialmente, visto que não possuem uma infraestrutura adequada, bem como um sistema de educação eficiente.
Primeiramente, é inegável a precariedade da educação no território nacional, tendo — em 2019 — 6,6% da população analfabeta, conforme o IBGE. Mais precisamente, as regiões Norte e Nordeste superam os 7% de população analfabetos, enquanto as regiões Sul e Sudeste ficam abaixo dos 3%. Assim sendo é visível que existe um mau gerenciamento de recurso por parte dos governantes, que não consideram o meio em que cada instituição de ensino está localizada. Dessa forma, a infraestrutura adequada nas escolas pode melhorar o aprendizado, pois proporciona aos alunos a possibilidade de vivências práticas atrativamente e estimulante. Portanto, os alunos devem ter alternativas aos métodos de ensino tradicionais de modo que as dificuldades da realidade em que estão inseridos comprometam menos seu aprendizado, aumentando assim o interesse em passar mais tempo na escola.
Ademais, apenas investir na educação não é a solução para melhoria da vida dos cidadãos, visto que a falta de um sistema de saneamento básico eficiente tem um impacto negativo na educação de crianças e jovens brasileiros. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, há disparidade no que diz respeito aos anos de escolaridade das crianças com saneamento básico e os que residem em locais sem acesso aos mesmos serviços. No Brasil, a diferença no número de anos de educação formal entre os jovens que vivem em abrigos com saneamento básico e os jovens sem esses recursos é de 4,1 anos. Comparando os anos de educação formal de 2010 a 2018, constatamos que o número de anos de escolaridade dos jovens sem saneamento básico ainda é 4 anos a menos, em média, do que aqueles com esses recursos básicos em casa.
Portanto, para que os cidadãos do Brasil tenham as mesmas oportunidades, urge ao Governo Federal — órgão responsável pelo bem-estar da população — realizar uma adaptação no sistema de educação baseada nas condições de vida de cada região, bem como implementar um sistema higiene básica eficiente. Isso pode ser feito por meio da união do Governo Federal com o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação. Assim, será possível diminuir as diferenças nas oportunidades de cada região.