ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 20/08/2021
No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, fica evidente a denúncia do autor a respeito do descaso social e a exploração humana no sertão nordestino brasileiro. Hodiernamente, há diversos desafios que ampliam as discrepâncias entre as regiões brasileiras, sendo existentes tanto pela disparidade educacional quanto pelas diferenças econômicas. Logo, é preciso analisar os desafios detrás destes dilemas, bem como medidas para atenuar essas questões.
Vale ressaltar que a desigualdade quanto ao acesso à educação é um dos impactos notados na sociedade, haja vista que a aquisição de conhecimento proporcionará um desenvolvimento social, cultural e econômico para todos os brasileros. Segundo o educador Paulo Freire: “A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Isso evidencia que o investimento nas escolas, sobretudo nas áreas necessitadas como o Norte e o Nordeste, é essencial, pois os estudantes, conhecedores do saber, mudariam o mundo, já que, por exemplo, a educação supera a alta taxa de desemprego e coopera para a diminuição das diferenças entre as regiões. Todavia, o ensino não é visto como prioridade nessas partes do país, basta ver que dados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Norte e o Nordeste apresentam o menor índice de escolaridade entre pessoas com mais de 14 anos, o primeiro com 44,1% e o segundo com 38,7 %, já na região Sudeste se concentra o maior índice de acesso ao estudo. Dessarte, ao comparar esses dois locais com outra região, o choque da disparidade é assustador.
Outrossim, as diferenças econômicas são outro desafio para essa situação, já que no contexto histórico da industrialização da sociedade brasileira a região Sudeste se destacava e continua se destacando economicamente. À vista disso, em decorrência desse processo de desenvolvimento de empresas, é possível fazer alusão ao conceito que o sociólogo Boaventura chama de epistemologias do Sul, na qual “Sul” é usado de forma simbólica e representa os marginalizados. Isso acontece porque a concentração de empresas em áreas específicas, principalmente na região Sudeste, faz as demais regiões brasileiras serem desvalorizadas e “apagadas do mapa”, acentuando a desigualdade. Assim, tem-se o epistemicídio, ou seja, a morte do conhecimento dos povos que lá habitam pelo desprezo.
Infere-se, portanto, que a mídia, por amplo alcance populacional, deve criar campanhas e, junto com a população, cobrar o Ministério da Educação (MEC), a fim de que este consiga melhorar o sistema educacional brasileiro nas regiões carentes e usar os estudos como meio de combate a desiguldade. Já o Governo Federal, deve ampliar programas de auxílio econômico nas áreas desfavorecidas, de modo a aumentar as boas condições de vida e as oportunidades. Só com tais medidas que o Brasil melhorará.