ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 20/08/2021
Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é descrita a vida miserável de uma família, vivendo sob exploração humana no Sertão Nordestino. Fora da ficção, em um cenário hodierno, muitos indivíduos conhecem este lado obscuro da sociedade brasileira. Todavia, em algumas regiões do Brasil tal prática é mais intensificada, evidenciando, logo, uma disparidade entre estes polos regionais. Nessa perspectiva, torna-se como causa explícita desta desigualdade tanto os acontecimentos históricos que constituíram o espaço como se conhece hoje, quanto a falta de políticas públicas. A priori, o vínculo presente com os fatos que originaram esta comunidade pode ser considerado um empecilho à consolidação de uma solução. De acordo com Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturaram o corpo-social. Sendo assim, ao analisar o período imperial, é possível constatar uma ligação com realidade. Sob este viés, a instalação da família real no Rio de Janeiro, região Sudeste do Brasil, fez com que não só esta se revolucionasse, mas também todos os locais ao seu redor, trazendo faculdades, bibliotecas públicas, hospitais, entre outras. Nesse sentido, enquanto esta área se desenvolvia, outras eram esquecidas e marginalizadas, a exemplo da região Norte e Nordeste. Em segundo plano, a ausência de intervenções dos órgãos governamentais é um grande impasse à resolução da problemática. Em consonância com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, alcance o equilíbrio na sociedade. Dessa forma, atualmente, há uma parcialidade do próprio Estado, beneficiando regiões economicamente mais importantes e desamparando outras. Nesse sentido, a isonomia, orientada pelo filósofo, é descumprida, acarretando no desequilíbrio social, o qual se vivencia hoje. Infere-se, portanto, os desafios de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil como um problema. Destarte, é necessário que o Tribunal de Contas da União envie verbas que, por intermédio do Ministério da Economia, serão revertidas em auxílio às pessoas que vivem em regiões menos favorecidas, isenções fiscais às empresas que se inserirem nesses locais e construção de novas obras que incitem atividades culturais, a fim de mitigar esta discrepância na comunidade. Só assim, as vidas, antes secas, irão se florir.