ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 23/08/2021

A segunda fase do Modernismo brasileiro teve a crítica social e o regionalismo como principais características do período artístico. Nesse movimento literário, os escritores buscaram denunciar em suas produções os problemas socioeconômicos das as regiões brasileiras, intensificados pelas desigualdades entre elas. Ao sair do contexto da literário, percebe-se que as disparidades regionais, denunciadas pelos escritores de 1930, ainda são latentes na sociedade brasileira. Sob esse viés, é imprescindível compreender a concentração histórica da produção e os efeitos na esfera social.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a concentração histórica da produção material e imaterial, na região Sudeste, gera as disparidades inter-regionais. A esse respeito, a industrialização nessa região ocorreu de forma acelerada durante o século XX, graças aos investimentos feitos no setor industrial, por uma grande parcela de fazendeiros paulistas, após o declínio do café. Nesse contexto, essa porção do território brasileiro acaba se tornando o mais atrativo polo industrial e econômico, atraindo até hoje a maioria das empresas. Consequentemente, há o desenvolvimento desenfreado dessa região e a estagnação das demais, sobretudo a Região Norte, reafirmando as diferenças no panorama nacional.

Ademais, os efeitos dessas disparidades não se resumem ao plano econômico, uma vez que prejudicam também o plano social. Isso ocorre, porque as diferenças inter-regionais acentuam problemas como a desigualdade social e a pobreza. Tais consequências são provocadas, segundo o célebre geógrafo brasileiro Milton Santos, pela separação das regiões em polos de atração ou de repulsão e pela sua posterior hierarquização, determinantes para o direcionamento de investimentos. Por conseguinte, as áreas menos favorecidas economicamente, também são desfavorecidas socialmente, o que pode ser verificado pela falta de educação de qualidade e pela ocupação de locais  insalubres.

Portanto, nota-se que as desigualdades regionais precisam ser superadas. Sendo assim, o Ministério da Indústria deve promover a desconcentração industrial a fim de viabilizar o crescimento equitativo do Brasil. Isso será feito por meio de incentivos fiscais a empresas que se instalem em regiões consideradas menos atrativas economicamente, assim como realizado na Zona Franca de Manaus. Concomitantemente, com o fito de diminuir as taxas de desigualdade e de pobreza, urge que o Ministério da Economia, no papel de gestor orçamentário federal, promova o redirecionamento dos investimentos mediante a análise do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cada município dos estados brasileiros. Como tal índice mede e avalia a qualidade de vida e a renda, será possível determinar quais regiões carecem mais de capital.