ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 14/09/2021

“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou nação”. A afirmação do escritor Oscar Wilder simboliza claramente o desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil, já que é justamente o comportamento passivo da sociedade em relação a essa estrutura degradante, que é a questão fundamental para a escassez de mecanismos para reverter esse cenário. Nesse sentido, essa vicissitude tem origem inegável na falibilidade governamental. Desse modo, entre os fatores que contribuem para essa conjuntura, destaca-se a carência infraestrutural e a falha legislativa.

Em primeiro lugar, deve-se pontuar que o desprovimento estrutural nas regiões mais desvalorizados economicamente solidificou-se a desigualdade regional. Isso ocorre devido à concentração de recursos, tanto financeiros quanto de projetos, em algumas localidades  em detrimento de outras. De acordo com o conceito apresentado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a “instituição zumbi” é aquela que descumpre com o seu papel essencial a qual deveria desempenhar-se. Assim, esse termo refletido pelo polonês pode facilmente se referir a falta de isonomia estrutural no país, uma vez que o direcionamento de projetos infraestruturais no sudeste brasileiro foi o fator protagonista na problemática. Sendo assim, permitindo uma hegermonia no sudeste sob as demais regiões.

Ademais, a falibilidade legislativa  cristaliza a problemática em questão. Isso acontece justamente porque o setor legislativo falha na construção de projetos que estimulam a equidade regional. Um exemplo desse  imbróglio normativo é no caso do saneamento básico, na qual esse direito mínimo é suprimido a diversas localidades, em contraponto cidades que possuíram projetos de desenvolvimentos, como é no caso das cidades paulistas devido à influência política que esses grandes centros detinham na “República Velha” no inicio do século XX,  são amplamente desenvolvidas.

Fica evidente, portanto, que a inficiência estatal dificulta na redução das desigualdades regionais no país tupiniquim. Logo, para combater esses empecilhos tornar-se necessário que o Governo Federal atue, por meio do Ministério da Economia, com o intuito de institucionalizar o Plano Nacional da Isonomia regional, na qual será reponsável por oferecer mais recursos financeiros a todas regiões fora do sudeste brasileiro, a fim de proporcionar a redução desse desiquilíbrio regional. Além disso, dentro desse mesmo plano, o Ministério da Infraestrutura deverá desenvolver diversos projetos urbanos, com intuito de radicalizar o saneamento básico em toda a nação e construir estradas e pontes de modo que  estimule a indústria e o comércio nessas regiões. Dessa forma, o corpo social brasileiro estará dando passos para um progresso isonômico, como mencionado por Oscar Wilder.