ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 13/09/2021

Desde o período pré-colonial, as regiões litorâneas eram fortemente exploradas devido ao movimento das Grandes Navegações, iniciando o comércio e o mercantilismo na área. Entretanto, as demais regiões do país vieram a ser exploradas de maneira tardia e com desinteresse, ocasionando a subestimação do seu potencial social, econômico e ambiental, e consequentemente alimentando a desigualdade social e regional. Dessa forma, entende-se que investimentos centralizados e a globalização apresentam-se como entraves para reduzir as desigualdades regionais no Brasil.

Em primeiro plano, os investimentos centralizados nas regiões sul, sudeste e centro-oeste favorecem o aumento das desigualdades regionais. Nesse sentido, a Constituição brasileira de 1988 prevê erradicar a pobreza e diminuir as desigualdades regionais. Entretanto, os investimentos frequentes em industrialização, produção cultural,  e sedes de multinacionais alimentam as disparidades econômicas entre as regiões, haja vista que essas regiões possuem a maior renda per capita do país.  Ocorre que quanto mais desenvolvida a região for, mais atraente é para investimentos, invisibilizando e excluindo as demais regiões brasileiras. Assim, a manutenção desse comportamento representa retrocesso e causa um dos mais graves problemas no Brasil: as desigualdades regionais.

Em segundo plano, a globalização fragiliza o desenvolvimento das regiões menos privilegiadas. Nesse sentido, a industrialização centralizada nos polos econômicos do país impede que a expansão massiva da tecnologia e informação atinja a população de forma democrática, favorecendo o acúmulo de riquezas aos mais ricos e prejudicando os mais pobres. Além da concentração de poder, a globalização também aumenta o desemprego — uma vez que é mais barato usar máquinas para realizar um trabalho do que manter homens e mulheres nessa função — e a fome. Dessa forma, é contraditório que, mesmo sendo uma nação pós moderna, a falta de integração da população menos privilegiada ainda seja realidade no Brasil.

Há de se combater, portanto,  as desigualdades regionais na sociedade brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Economia, com urgência, redirecionar sua atenção para as regiões menos desenvolvidas, por meio de projetos sociais e investimentos fiscais, a fim de melhorar a infraestrutura e condição de vida da população. Por sua vez, cabe ao Governo Federal,  com senso crítico, melhorar o funcionamento dos projetos sociais, por meio de distribuição de cestas básicas e fiscalização de leis, com o propósito de reduzir as desigualdades. Dessa forma, a ferida histórica da desigualdade social e regional no Brasil será apagada.