ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 21/09/2021

O conceito de “Corpo Biológico”, para o sociólogo Émile Durkheim, consiste em uma sociedade interdependente, e, principalmente, dotada de igualdade social. Nesse sentido, infere-se a discrepância entre o modelo social proposto por Durkheim e aquilo observado no contexto brasileiro hodierno, ainda mais no que diz respeito à desigualdade, tanto econômica quanto de desenvolvimento, entre as regiões do Brasil. Assim, entende-se o caráter maléfico da temática e seu fundamental combate, que encontra, entre seus empecilhos, uma herança histórica e a concentração dos meios de produção.

Inicialmente, convém ressaltar a ligação entre a temática e o passado histórico brasileiro. Nesse viés, vale-se do período colonial no Brasil, durante o qual a concentração da produção e do contingente populacional nas regiões Norte e Nordeste, despreparadas para tal função, criou um contexto de desigualdade que se mantém até hoje. Nessa perspectiva, vê-se a origem de uma raiz histórica da mazela, que estabelece, desde o início do processo civilizatório, a existência da disparidade regional, fato acentuado atualmente pelo sucateamento e pela carência de estrutura nas mesmas regiões, o que, historicamente, resulta na migração da mão de obra para locais com maior disponibilidade produtiva, como as metrópoles. Desse modo, entende-se o caráter inadmissível da temática e a necessidade de seu combate.

Outrossim, a polarização da estrutura produtiva apresenta-se atrelada à problemática. Nesse sentido, são válidos os dados do IBGE acerca do PIB (Produto Interno Bruto) por região no Brasil, que atribuem mais de 80 por cento da produção brasileira às regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. De tal maneira, reforça-se o contexto díspar vivenciado no País, em grande parte decorrente da concentração dos meios de produção, como fábricas e indústrias, nas regiões dotadas de maior suporte aos empreendimentos, condição na qual diversos estados não se encaixam. Logo, é clara a necessidade de mudanças acerca de tal inaceitável temática.

Portanto, infere-se o caráter maléfico da manutenção da problemática e os empecilhos ao seu combate efetivo, de impreterível importância. Desse modo, cabe ao Governo Federal, em parceria ao Ministério do Desenvolvimento Regional, criar, a partir de decretos políticos, medidas que viabilizem e auxiliem o combate à disparidade regional, como a concessão de benefícios à empresas, agregadoras de empregos e geradoras de mercado consumidor, que se estabeleçam nas regiões carentes, de modo a contribuir progressivamente à diminuição da mazela e de sua influência na sociedade. Assim, a sociedade aproxima-se do modelo proposto por Durkheim.