ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 23/09/2021

“Vidas Secas”, obra literária de Graciliano Ramos, retrata as dificuldades encontradas pela família de Fabiano, um retirante nordestino que foge da miséria e da seca do Sertão Nordestino. Fora do âmbito ficcional, é notável a existência de muitos “fabianos” no Brasil contemporâneo, de maneira que as desigualdades ainda são expressivas entre as regiões do país. Nesse contexto, percebe-se que desafios são encontrados para a redução dessas disparidades regionais, como a insuficiência de políticas públicas e a concentração econômica em alguns estados.

Em uma primeira análise, deve-se apontar uma ausência de medidas políticas para a diminuição das desigualdades regionais do Brasil. Nesse sentido, o país ainda sofre com as reminiscências do passado colonial, na medida em que a Coroa Portuguesa despendeu os maiores recursos para as regiões Sul e Sudeste durante os ciclos econômicos do ouro e, posteriormente, do café, que se estendeu para a República Oligárquica. Dessa maneira, no decorrer da história, fez-se necessário mobilizações governamentais para que as outras regiões também se desenvolvessem. No entanto, as discrepâncias perpetuam-se, uma vez que essas políticas falham por não considerar as diferenças geográficas e sociais das regiões e, assim,  não há mudanças suficientes para superar a herança colonial.

Além disso, nota-se uma concentração econômica e política que cria uma hierarquização entre os estados. De acordo com a regionalização de Milton Santos, geógrafo brasileiro, as regiões Sul e Sudeste formam a região Concentrada no país, na qual há vantagens consideráveis em comparação com outras regiões, como o desenvolvimento tecnológico e o de serviços.  Assim, a região Concentrada, além de possuir maior densidade populacional, possui maior contribuição para o PIB nacional, o que resulta em um cenário no qual essa região possui mais recursos econômicos e maior poder decisório, o que a torna prioridade para o Governo Federal, que investe no que dá mais retorno econômico para o país.

Urgem, portanto, medidas capazes de diminuir as desigualdade entre as regiões do Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal - órgão de instância máxima no país - criar um plano com metas específicas para o desenvolvimento de cada região e dos estados que a compõe, levando em consideração as desigualdades socioeconômicas e as diferenças geográficas, por meio da disponibilização de mais recursos para os estados mais pobres. Dessa maneira, sob o princípio da equidade, o Brasil tornar-se-á, paulatinamente, um país mais igualitário e com condições melhores de vida para seus cidadãos,  reduzindo a realidade de Fabiano à esfera literária.