ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 28/09/2021
No filme da Netflix “Cabra da peste”, um nordestino precisa ir até a cidade de São Paulo, porém, ao chegar lá, ele sente um choque sociocultural imenso ao ter como parâmetro a antiga realidade de onde morava. Fora da ficção, é possível compreender que esse assunto possui, infelizmente, verossimilhança notável, haja vista que introduz um tema muito importante na sociedade brasileira atual: As desigualdades entre as regiões do país. Dessa forma, cabe ainda ressaltar que a inércia governamental e o êxodo para algumas regiões são fatores que sustentam a problemática citada.
Em primeira análise, torna-se possível inferir que o Estado, como maior órgão do país, deve proporcionar a mudança necessária na questão, conquanto esse não a faz. Segundo dados públicos divulgados pelo Governo Federal, existem regiões que, por meio dos investimentos da União, chegam a receber quase dez vezes mais que outras. Além disso, por meio de análises de relatórios divulgados pelo Ministério da Infraestrutura, somando o número de obras públicas das regiões sul e sudeste, são mais de 50% das de âmbito nacional. Nesse sentido, é passível de compreender a grande disparidade econômica, entre os estados presentes na União, influencia e agrava outras vertentes, tais como as sociais e infraestruturais, moldando, dessa maneira, uma maior qualidade de vida nesses domínios de terra que melhor recebem. Em síntese, muito se deve mudar no ambiente administrativo para, enfim, ter progresso na questão, todavia alguma atitude deve ser tomada.
Ademais, torna-se evidente que, por intermédio da desigualdade entre as regiões, haverá um constante fluxo para as zonas mais beneficiadas. Em viés de entendimento, analisar o preceito da geografia o qual demonstra as relações entre o IDH - índice de desenvolvimento humano - e as migrações é de suma importância para a problemática. Como já citado, as dinâmicas administrativas favorecem certos estados, portanto êxodos para essas regiões tendem ser mais constante, fato este que traz, lamentavelmente, outro princípio de atraso regional, visto que um estado sem sua população não consegue trilhar o avanço. Em suma, analisa-se a formação de um ciclo vicioso, pois, quanto maior a disparidade, maior o êxodo populacional, e assim, menor importância o Governo dará.
Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. A fim de retrair as desigualdades entre as regiões do Brasil, urge ao Governo federal, como maior agente do país, investir, por meio da União, em melhores condições nos estados da federação. Isso pode ocorrer, por exemplo, utilizando como norte dos incentivos financeiros, os critérios básicos do IDH. Dessa forma, é esperado não somente uma melhora nas condições e na equiparidade dos estados, como também se espera diminuir os choques culturais demostrados pelo filme “Cabra da peste”.