ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 05/10/2021

Em 1530, a coroa portuguesa começou a por em prática as suas primeiras estratégias para a ocupação do território brasileiro com o objetivo de criar uma colônia. Entretanto, essa ocupação territorial ocorreu - vinculado à interesses econômicos da época -  de forma desordenada, o que reflete, hoje, nas desigualdades existentes entre as regiões do país, haja vista a diferença na disponibilidade de recursos para estados fora do centro-sul. Nesse sentido, para melhorar esse cenário, há de se combater a cultura da exclusão, bem como a omissão do Estado.

Em primeiro lugar, é fundamental considerar que a exclusão de certas populações e regiões impossibilita a redução das desigualdades existentes. A esse respeito, o autor Gilberto Freyre disserta, em sua obra “Casa-Grande e senzala”, que o Brasil foi moldado a partir da figura do senhor de engenho, ou seja, segundo ele, os locais de menor prestigio social não são de interesse dos meios de produção. Portanto, essa postura excludente - citada por Freyre - perpetua-se na sociedade na medida em que os investimentos econômicos, as sedes de grandes empresas e os maiores Índice de Desenvovimento Humano se concentram nas cidades do sul e sudeste. Logo, verifica-se que faltam medidas efetivas para resolver essa problemática.

Ademais, é crucial dar ênfase à questão da inércia estatal como um dos motivos para a manutenção dessa discrepância existente no país. Nesse viés, o Filósofo Thomas Hobbes define que o Estado é o resposável por garantir o bem estar a todos os indivíduos. Todavia, a diferença de acesso a saneamento, internet, saúde, cultura e emprego entre uma região e outra contribui para que o Brasil fique longe do conceito defendido por Hobbes. Sendo assim, é inadimissível que, em pleno século XXI, ainda haja desigualdade social que, além de submeter a população a condições desumanas, fortalece a assimetria entre as localidades brasileiras.

Destarte, não há dúvidas de que medidas devem ser tomadas para resolver as diferenças entre as regiões do Brasil. Para tanto, o Ministério da Economia, junto ao Ministério da Infraestrutura, deve criar um plano desenvolvimentista que redirecione investimentos regionais para cidades de menor expressão nacional. Esse redirecionamento deve ser realizado por meio de análise e mapeamento do IDH dos municípios a fim de realizar uma distribuição equitativa de capital para o melhor desenvolvimento e uma melhor integração entre grandes, médias e pequenas cidades. Somente assim, os desafios para  reduzir as desigualdades entre regiões será minimizado e o Brasil excludente, definido por Gilberto Freyre, deixará de existir gradativamente.