ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 14/10/2021

De acordo com o célebre geólogo Milton Santos, o território brasileiro pode ser dividido de acordo com suas características não apenas físicas, como também socioespaciais. Nessa divisão, que define a existência de “quatro Brasis”, são acentuadas as diferenças econômicas e sociais entre as regiões. Dessa forma, identifica-se uma circunstância de desigualdade entre as diferentes partes do país, a qual se deve tanto a fatores históricos quanto à banalização dessa problemática na sociedade.

De início, é relevante destacar que o histórico colonial impactou a presente configuração geográfica brasileira. Nesse sentido, enquanto a região Sudeste, que concentra a maior parte do PIB do país, favoreceu-se economicamente devido aos ciclos do ouro e do café, os estados das demais áreas foram negligenciados, possuindo suas necessidades mantidas em segundo plano. Dessa maneira, o Brasil é caracterizado por expressivos contrastes econômicos em decorrência dos tempos coloniais, uma vez que o centro-sul do país é amplamente desenvolvido em termos econômicos e sociais, enquanto outras áreas concentram populações pobres e miseráveis, como acontece em parte considerável de cidades do Norte e Nordeste, conforme indicam dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

Além disso, a precária discussão a respeito dessa realidade colabora para sua normalização. Nesse sentido, a filósofa alemã Hannah Arendt discorre, em sua obra “Eichmann em Jerusalém”, acerca da falta de julgamento moral na contemporaneidade, a qual promove a banalização do mal, isto é, a manutenção de situações nefastas a um grupo de indivíduos. Assim, por não questionar os efeitos prejudiciais da desigualdade entre as diferentes regiões do país às populações que vivem em condições desfavoráveis, a sociedade cala-se diante dessa realidade, postura que favorece a persistência do problema.

Portanto, torna-se clara a necessidade de se reverter a atual conjuntura de discrepâncias territoriais no Brasil. Para tanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, o planejamento e execução de projetos instrutivos, os quais serão realizados por meio de palestras e debates a serem ministrados em lugares públicos – como parques, praças, escolas e universidades –, a fim de estimular a reflexão crítica coletiva quanto à existência de desigualdades socioeconômicas entre os brasileiros moradores de diferentes regiões do país e romper, assim, com a banalização dessa conjuntura. Com isso, será possível propiciar condições para a construção de um país mais igualitário e justo.