ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 24/10/2021

De acordo com o ideal de Contrato Social, pensado no século 28 pelo filósofo iluminista inglês John Locke, o indivíduo em seu estado cidadão abdicaria de suas liberdades naturais em prol da assistência do Estado, que seria o responsável pela garantia da proteção e da igualdade. Séculos depois, tentamos nos convencer de que vivemos finalmente sob a égide desses princípios, apenas para nos decepcionarmos diante da desigualdade brutal que se estende sob todo o território nacional: a impessoalidade da globalização e a ingerência estatal frente o poder do capital financeiro atuam implacáveis como principais motores dessa realidade perversa.

É relevante abordar, primeiramente, que a desigualdade é  apenas uma das facetas que compõem o amplo espectro da lógica de mercado. Não é à toa que a cidade de Detroit ao norte dos Estados Unidos, antes um fervoroso polo industial nos anos 50, encontra-se praticamente inabitada: diante dos baixos custos da força de trabalho no leste asiático, o capital foi transferido para países como China e Tigres Asiáticos, gerando probreza e miséria na região. Portanto, a impessoalidade do fluxo de capitais clama pela engenhosidade da gestão pública, que deve saber aproveitar os potenciais regionais, a fim de gerar renda e mitigar a desigualde.

Além disso, há de se levar em consideração a baixa dinamização da economia brasileira que nunca deixou de ser essencialmente primária, concentrando investimentos sempre na extração de riquezas naturais, o que tende a favorescer economias regionais. Quando pensamos em petróleo, imaginamos o litoral do Rio; minérios, o Pará e o triângulo mineiro; soja, o estado do Mato Grosso; todas comódites que, mesmo de grande relevância econômica e social, geram divisas principamente a estas regiões. Desse modo, apostar apenas em uma econômia de extração é, de certa maneira, incentivar a desigualdade.

Faz-se necessário, portanto, reavaliar as bases econômicas do pais, a fim de superar esse obstáculo. Desse modo, urge que os Governos Estaduais atuem dinamizando a economia das regiões Norte e Nordeste, concedendo abatimentos fiscais justificáveis à empresas de setores estratégicos, como industrial e tecnológico. Além disso, é essêncial que hajam medidas de amparo social contra as marés imprevisíveis da globalização, impedindo a decadencia súbita de economias regionais, o que pode ser feito a partir de programas profissionalizante e de incentivo ao empreendedorismos - por meio de cursos semi-presenciais acessíveis-, o que pode ajudar pessoas a criar alternativas e abraçar aportunidades. Dessa maneira, poderemos cultivar uma maior homogeneização entre as diversas regiões brasileiras, mitigando a questão da desigualdade.