ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 19/11/2021

No contexto de polarização mundial da Guerra Fria, a capital da Alemanha (Berlim) foi dividida em duas através de um enorme muro, criando, dessa forma, barreiras entre suas distintas regiões. No Brasil hodierno, coisa semelhante ocorre: as desigualdades regionais no país criam segregação entre suas populações, embora não haja um divisor físico antrópico entre elas. Tal conjuntura decorre, sobretudo, em razão do modelo de ocupação colonial e da compactuação da sociedade.

Primordialmente, a maneira como os colonizadores povoaram o país aconteceu de forma não democrática. No século XVI, com a suposta “descoberta” da Ilha de Vera Cruz (antigo nome do país), as primeiras regiões habitadas por não nativos foram as litorâneas, por causa do fácil acesso ao mar, caminho para Portugal. Por conseguinte, esses locais, como o atual Sudeste, também foram os pimeiros a ter, com efeito, a infraestrutura, mesmo que mínima, para o bem estar coletivo. Infere-se, portanto que, histórica e geograficamente, o padrão se repetiu e é causa das desigualdades de hoje, da mesma forma que foi no passado.

Outrossim, a inércia da população serve de estopim para a continuidade desse processo. Para o sociólogo Georg Simel, atitude “blasé” é aquela na qual o ente social, por ter se habituado a um problema, o ignora. Sob essa perspectiva, o cidadão brasileiro, por vezes, acha comum que haja desiguldade regional e, consequentemente, não faz nada para mudar essa realidade. Logo, o “muro” nos espaços brasileiros continua sendo feito, por costume, apesar de ser necessário destruí-lo, a fim de um lugar justo a todos, tal como garante a Constituição Federal.

Destarte, é imprescindível haver mobilização social. Essa “quebra” de inércia, por parte da população adulta, deve ocorrer por intermédio de manifestações pacíficas, nas ruas ou nas redes sociais, com o escopo de garantir que o Estado promova a mitigação das desigualdedes regionais do Brasil. Para tanto, o Ministério da Economia, por sua vez, deve criar um sistema de investimentos proprocional à dificuldade que a região enfrenta. Então, as barreiras nacionais entre os locais do território nacional serão destruídas, gradativamente, e não haverá mais “muros”, como o de Berlim.