ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 12/01/2022

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado por Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil - grave problema a ser enfrentado pela população - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. Isso porque, como afirmou Graciliano Ramos em seu livro “Vidas Secas” a legislação é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes estigmatiza a miséria e a seca que assola o sertão nordestino. Nesse sentido, imagina-se que o desafio para reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil é garantido através da Constituição Federal de 1988, visto que, por meio dela, o cidadão tem assegurado direitos como acesso à saúde, educação, trabalho e moradia. No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento ocorre, devido a falta de apoio estatal, bem como acesso à saúde dentre as diferentes regiões do país. Portanto, é inadmissível a ineficiência do governo em não defender as garantias básicas da população.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso é devido ao fato de que mediante o status social do indivíduo a busca incessante pelo acúmulo de bens provoca uma atitude egocêntrica em relação aos mais necessitados. Na obra “Modernidade líquida” de Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, por consequência a falta de empatia dentre eixos educacionais, sociais e econômicos. Assim, essa liquidez que influi sobre a questão das desigualdades entre as regiões do Brasil funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver os desafios inerentes as desigualdades entre as regiões do país. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal com apoio das redes midiáticas - por intermédio de campanhas e ações que viabilizem a garantia de educação, saúde e moradia ao âmbito social - promova a ampliação de estratégias de renda mínima no Brasil com o entuíto de reduzir as diferenças econômicas e sociais no país, a fim de inibir a desigualdade entre as regiões. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel social.