ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 17/01/2022

O filme “O Auto da Compadecida”, baseado na peça do escritor Ariano Suassuna, narra a história de dois personagens que sobrevivem em meio à situação de pobreza no nordeste brasileiro. Paralelo à obra, a realidade brasileira não se mostra muito distante, pois ainda perpetua o desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do país, um terrível fato a ser enfrentado pela sociedade, tendo como principal causa a desvarização de algumas regiões e o baixo Índice de Desenvolvimento Humano, como consequência direta.

Inicialmente, é possível observar que a desvalorização de algumas regiões do Brasil é fruto de um processo histórico, que se inicia quando a economia brasileira, a partir do século XVIII, passa a se concentrar nas regiões hoje compreendidas entre o Sudeste e Centro-Oeste do território nacional. Por isso, nos anos que se seguiram, a economia brasileira continuando concentrada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, temos, segundo o IBGE, mais da metade do PIB oriundo do Sudeste, enquanto o Nordeste, 13,4 %, em 2011.

Além disso, é possível afirmar que o baixo Índice de Desenvolvimento Humano nessas regiões desvalorizadas é uma consequência direta desse processo, seja por falta de investimentos nessas regiões, seja também pelo fato de visarem mais aquelas regiões historicamente privilegiadas pelo Estado. De acordo com o IBGE, em 2010, o IDH das regiões Norte e Nordeste encontravam-se de 4 a 6 pontos a menos do que o sudeste e o sul do país, fato esse que evidencia a forma excludente como as regiões são tratadas.

Portanto, a fim de garantir maior igualdade entre as regiões, seja de IDH ou economicamente, o governo deve aumentar o investimento nas regiões Norte e Nordeste, por meio de repasses para estados e municípios, utilizando-se de um projeto governamental para incentivar a criação de polos industriais, atraindo, assim, mais investimentos para essas partes do país. Espera-se, com isso, que o Norte e o Nordeste possam ter maior participação no PIB nacional, elevando seu IDH ao mesmo patamar das regiões mais valorizadas do Brasil.