ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 07/09/2022

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar importância a situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, dar importância às desigualdades entre as regiões do Brasil. Dessa forma, essa realidade se deve à negligência estatal e à falta de engajamento social.

Mormente, observa-se a negligência estatal como fator que dificulta a resolução do entrave. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King, de que a injustiça em um lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar, cabe perfeitamente, uma vez que a não resolução dessa problemática fere com os direitos dos brasileiros, e, desse modo, desvirtua-se do que se encontra na Constituição Cidadã. Diante disso, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange à disparidade regional no Brasil.

Ademais, vale destacar a ausência de engajamento social como fator que corrobora as desigualdades entre as regiões brasileiras. Fica claro, pois, que a indiferença da sociedade diante da importância em combater esse desiquilíbrio entre os territórios brasileiros silencia a temática na conjuntura social, o que compromete o direito a educação, a saúde e a propriedade privada de muitos brasileiros. Sob esse viés, é lícito referenciar o professor israelense Yuval Harari, o qual, na obra “21 lições para o século XXI”, afirma que grande parte dos indivíduos não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática, como acontece no Brasil, em relação disparidade regional.

Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Ministério da Economia- órgão responsável pela política econômica nacional- criar campanhas de conscientização, por meio de uma lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Espera-se que, assim, seja combatida as desigualdades entre as regiões do Brasil e que a “teologia do traste” não permaneça apenas no campo literário.