ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 25/09/2022

No preâmbulo da Constituição brasileira, o estado democrático é definido como condição sine qua non para o exercício da cidadania. Hoje, porém, a desigualdade generalizada entre as regiões do Brasil, por exemplo, coloca a realidade à margem da democracia. Nesse contexto, a redução da desigualdade regional no Brasil continua sendo um desafio formidável. Indiscutivelmente, a inércia estatal e o individualismo corporativo são as principais razões para isso.

A primeira é destacar a incapacidade do governo em lidar com os desequilíbrios fiscais. Segundo Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar das pessoas, porém, isso não acontece no Brasil. Por negligência das autoridades, um vazamento nas contas públicas em 2016 aprofundou a concentração de riqueza na cidade sulina, segundo o jornal O Globo.

Além disso, ambições exclusivas de lucro são uma parte fundamental do problema. Nesse sentido, destaca-se um princípio ético fundamental da filosofia de Eric Voegelin, do qual se pode inferir que o egocentrismo mina a proteção da prosperidade coletiva. Com isso, nos últimos anos, os fundos imobiliários têm buscado evitar o pagamento de benefícios trabalhistas restringindo seus investimentos a determinadas áreas do território brasileiro, com o único objetivo de enriquecer, constatado em análise realizada pela revista Exame.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao governo federal atuar em favor da população, mediante a gênese de leis que proporcionem estabilidade às contas públicas, a fim de assegurar a evolução de todas as regiões do Brasil e o direito à proteção. Ademais, o corpo social deve pressionar os empresários a descontinuarem a política irrazoável de investimentos, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar uma realidade justa e equilibrada. Assim, obter-se-ão os requisitos indispensáveis para a restauração da soberania civil.