ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 02/10/2022
A obra “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, retrata, de maneira cômica a vida de dois sertanejos que, por serem muito pobres, acabam por realizar golpes para sobreviver. O auto, apesar de ficcional, evidencia diversas camadas da realida-de brasileira, principalmente o que diz respeito à desigualdade regional e à pobre- za na região Nordeste. Nesse sentido, dois importantes aspectos se destacam: o processo histórico de formação dessa disparidade regional, além dos impactos sociais por ela fomentada na vida dos brasileiros do Norte e Nordeste.
Em primeira análise, urge explicitar que a desigualdade regional cresceu paulati-namente ao longo da história do Brasil. Nesse prisma, cabe ilustrar que os primei-ros indícios de grande desigualdade ocorreram durante o Ciclo Econômico do Café, que promoveu uma incipiente industrialização totalmente localizada no Centro-Sul, além de atrair a migração de trabalhadores e urbanizar a região. Posteriormente, durante o governo JK, a industrialização se acentuou através do capital estrangeiro e ampliou ainda mais a já existente desigualdade entre as regiões, visto que, até hoje, o ABC Paulista continua sendo o principal expoente industrial do país.
Outrossim, em consequência de tal processo, configurou-se, no Brasil, uma relação deveras assimétrica, principalmente nas relações comerciais entre as regiões. Sob tal óptica, torna-se válido destacar que, segundo dados divulgados pelo IBGE, as regiões Norte e Nordeste, responsáveis, juntas, por menos de um quinto do PIB nacional, são as únicas, em todo o país, que possuem um IDH médio abaixo de 0.6. Essa péssima condição de vida foi explicitada pela Segunda Fase Modernista, a qual reiterava, em obras como Vidas Secas, a disparidade regional. Assim, evidencia-se que a desigualdade regional brasileira afeta o bem-estar social dos habitantes de regiões mais ao norte, já que têm uma baixa qualidade de vida.
Destarte, é mister do Estado tomar medidas para reverter o quadro atual. Para a redução da desigualdade regional, o Ministério da Economia deve, por meio de parcerias público-privadas, conceder redução fiscal para a implantação de plantas industriar no Norte e no Nordeste, gerando empregos e melhores condições de vida para seus moradores. Somente dessa maneira, será possível reduzir as dispa-ridades explicitadas por Ariano Suassuna e pela 2ª Fase Modernista.