ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
Enviada em 15/10/2022
Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2019, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Tal pesquisa se torna ainda mais alarmante quando observado sob a perspectiva das regiões brasileiras. Nesse sentido, as terras tupiniquins obtêm o triste dado de serem duplamente desiguais, como país e por região. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar as raízes históricas da desigualdade entre as regiões do Brasil, bem como os efeitos dessa mazela social.
De início, o legado histórico é ponto fundamental da problemática. O quadro de desigualdades acentua-se com a vinda da família real, em 1808, que concentrou no Rio de Janeiro todos os serviços estatais. Posteriomente, durante a industrialização na Era Vargas, novamente a região Sudeste foi escolhida para os investimentos. Sob essa ótica, as medidas governamentais de escolha de uma única região para receber investimentos fez com que as demais regiões fossem esquecidas pelo Estado. Desse modo, a ingerência estatal histórica potencializou este triste indicador e os governos posteriores pouco atuaram para reverter tal cenário.
Ademais, a desigualdade entre as regiões afeta a democracia. Conforme o filósofo Jurgen Habermas, a democracia só é plena quando deliberativa, ou seja, um sistema democrático necessita que todas as vozes tenham direito de fala e de serem ouvidas. No entanto, a desigualdade brasileira restringe o acesso das populações de regiões menos favorecidas que, por não terem as mesmas condições acabam inviabilizadas como cidadãos. Dessa forma, a própria perpetuação da desigualdade regional resulta em contextos cadas vez mais desiguais e maior discrepância dentro do país.
Depreende-se, portanto, que reduzir as desigualdades entre as regiões brasileiras é fundamental para uma sociedade democrática. À vista disso, é dever do Ministério do Desenvolvimento Social - órgão responsável pelo combate à desigualdade - atuar para reverter o preocupante quadro. Isso poder ser feito por meio do mapeamento das regiões mais necessitadas e distribuição de verbas proporcionais à situação econômica de cada localidade, a fim de diminuir os indicadores de desigualdade. Assim, o Brasil poderá se afastar do lamentável ranking da ONU e tornar-se cada vez mais democrático.