ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 29/05/2023

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) elencou a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades como objetivos para o desenvolvimento sustentável a serem perseguidos pelos países membros até 2030. Entretanto, dados recentes revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, segundo o Coeficiente de Gini (indicador de desigualdade), o Brasil encontra-se entre as dez nações mais desiguais para se viver, o que se reflete entre suas regiões. Diante disso, cabe ao Estado realizar políticas públicas para contornar a situação e conscientizar a população sobre seu papel.

Sob esse viés, tem-se que a atuação diligente do governo é fundamental para a homeostase (equilíbrio) social. Nesse ínterim, tal assertiva é ratificada pelo entendimento do geógrafo Milton Santos, na obra “Por uma outra globalização”, na qual sustenta que um dos efeitos perversos do mundo globalizado é a acentuação das desigualdades, as quais devem ser corrigidas tempestivamente, sob o risco de prejudicarem os países afetados em sua inserção internacional. Desse modo, evidencia-se a necessidade de medidas corretivas em função do progresso.

Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse contexto, o antropólogo Roberto DaMatta, em “Carnavais, malandros e heróis”, critica o fato de o brasileiro esperar que os políticos resolvam todas as mazelas sociais. Em contrapartida, o autor defende que o povo deve inserir-se como agente ativo do processo de mudança. Dessa forma, fica claro que a conscientização sobre os efeitos da desigualdade deve acontecer no seio familiar e nas escolas e que os cidadãos devem cobrar do governo a elaboração de medidas de equalização dos danos oriundos do problema.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue diuturnamente na viabilização dos ODS da ONU supramencionados. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, de modo a assegurar a pluralidade dos trabalhos, além de abordar o tema em escolas e universidades. Assim, gradativamente, o país colherá os frutos das ações empreendidas.