ENEM Digital 2020 - O desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil

Enviada em 20/08/2024

O poema “Descobrimento”, do modernista Mário de Andrade, retrata as diferenças socioeconômicas da população brasileira. O poeta se descreve confortável em sua casa luxuosa na cidade de São Paulo, enquanto existe algum homem, ainda que em mesmo território nacional, extraindo borracha no Norte do país. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura atual brasileira, o sentimento de milhares de indíviduos assolados pela desigualdade entre as regiões do Brasil, é, amiudamente, semelhante ao cenário retratado pelo artista moderno. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a invisibilidade do tema.

Em primeira análise, é preciso apontar o poder público como agente potencializador da problemática. Essa inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, entretanto, sem cumprirem seu dever social com eficácia. Sob essa óptica, devido à baixa atuação das autoridades, o problema perdura, muitas das vezes pelo fato de que os investimentos públicos são focados em áreas mais industrializadas, como o sudeste do país, causando uma grande desigualdade reional. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Outrossim, a falta de discussão sobre o tema também contribui para que a desigualdade entre regiões persista. Para a escritora brasileira Djamila Ribeiro, para que um problema seja resolvido, primeiro é preciso tirá-lo da invisibilidade. Assim, quando são poucas ou nulas as discussões sobre as deficiências causadas pelas disparidades socioeconômicas do país, o problema persiste e afeta milhares de brasileiros. Logo, é inadmissível que o cenário continue a perdurar.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a desigualdade regional. Dessa forma, é necessário que o Ministério do Planejamento foque projetos em regiões pouco desenvolvidas do país, de modo a garantir dignidade e qualidade para os menos favorecidos. Assim, espera-se que haja uma completa refutação da observação poética de Mário de Andrade.