ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 08/07/2020
Uma boa palavra para definir o panorama da realidade das famílias brasileiras atuais é: pluralidade. Mães solteiras, casais homoafetivos, filhos biológicos e adotivos são algumas peças no retrato de família do Brasil. Essas novas configurações já avançaram bastante e hoje têm alguns direitos civis garantidos, apesar de ainda sofrerem muito preconceito. No entanto, essa discussão não está perto do fim, afinal essas novas famílias devem ser legitimadas e reconhecidas assim como todas as outras, sem prejuízo de intimidade – como consta no artigo 5ª da Constituição Federal.
Não obstante, as novas gerações surgiram com seus pensamentos mais críticos, o conservadorismo ainda está cristalizado em nossa sociedade. Há muito tempo as famílias são consideradas aquelas que envolvem a união de um homem e uma mulher que geram filhos e assim, esse se tornou o padrão normal e aceito. Crianças que pertencem às famílias “não convencionais” acabam achando natural o preconceito que sofrem. A violência verbal e física contra pessoas LGBTs tem várias consequências, e uma delas é o medo de adotar. A hostilidade também é comum quando se trata de mães solteiras, que, além de dar conta da criação dos filhos, enfrentam a discriminação. Desse modo, a triste realidade é que o modelo “pai, mãe e filhos”, tido como o tradicional, é privilegiado em detrimento dos outros.
A compreensão dos novos modelos familiares pode colaborar para resolver outros problemas sociais. Antigamente, a maioria mulheres divorciadas estavam destinadas à ficarem só, pois não eram socialmente aceitas. Apesar de ainda sofrerem preconceitos, atualmente, a maioria delas é independente. Quanto menos casais do mesmo sexo sofrerem preconceito por terem adotado uma criança, as outras pessoas irão se sentir incentivadas a pensar no assunto, o que pode ajudar na diminuição do número de crianças em orfanatos. É evidente que a estrada para chegar ao espaço para a pluralidade é repleta de obstáculos.
Portanto, fica explícita a necessidade de avanço nas discussões sobre representatividade familiar, pois os modelos mais contemporâneos são, na verdade, deixados de lado. O MEC (Ministério da Educação) deve promover palestras nas escolas a fim de demonstrar as diferentes faces familiares, e com isso promover uma melhor aceitação dessa nova configuração de família. O governo deve criar meios de castigos, penas mais eficazes e incentivar campanhas didáticas. A escola é, geralmente, a segunda experiência social das pessoas, ficando atrás apenas da família, por isso, promover a discussão com a comunidade escolar e o compromisso com a conscientização são seus deveres de casa. Enquanto as novas configurações continuarem a ser rechaçadas, nunca serão representadas nem respeitadas como devem ser.