ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 08/07/2020

Em pleno século XXI, a diversidade prevalece sobre definições antiquadas e tradicionalistas, assim como nem sempre se encontram famílias compostas da mesma forma pelo que o Estatuto da Família define ser uma família. Por este mesmo motivo foi muito debatido, tanto fora quanto dentro da Câmara dos Deputados, o projeto de lei aprovado pela Comissão Especial sobre o Estatuto da Família (PL 6.583/13), pois neste ficam excluídos da definição de família uniões como homoafetivas ou aquelas formadas apenas por pais ou mães solteiros, além de outras possibilidades de tipos familiares.

Em primeira análise, nota-se que muitos lares, principalmente brasileiros, não têm mais apenas uma família tradicional, como declara o Estatuto da Família. “É só olhar à nossa volta para perceber como esta definição é reducionista e anacrônica. Não reflete, de modo algum, a realidade em que vivemos” opina o vice-presidente de criação da NBS, André Lima. Logo, é preciso adaptar tanto a definição da palavra “família” quanto aqueles que a utilizam em relação à sociedade, visto que esta é dinâmica, diversa e abrangente. Ainda destacou que, atualmente, existem muitas crianças abrigadas e adotadas por casais como os homoafetivos e o Estatuto pode prejudicar as adoções e causar transtornos relacionados no futuro.

Observa-se, consequentemente, que essa visão inflexível sobre modelo familiar colabora para o crescimento da intolerância na sociedade em seu cotidiano. Por exemplo, o caso de Peterson Ricardo de Oliveira, que foi uma vítima desse cenário por ser filho de um casal homoafetivo. Aos 14 anos, entrou em coma por ter sido agredido por cinco estudantes na frente de sua escola, em São Paulo, vindo a falecer quatro dias depois, segundo dados do portal R7. Notícias como essa tornam-se frequentes mesmo que a adoção por casais homossexuais seja uma realidade e possua um papel importante na sociedade. Sobre isso, pode-se citar a diminuição do número de crianças órfãs – que, no Brasil, já apresenta mais de 3,7 milhões.

Fica evidente, portanto, o quão necessárias são medidas que se adaptem com a realidade atual. Para isso, é adequado que deva haver muita atitude por parte das escolas, visto que as crianças são diretamente afetadas por este assunto acerca da diversidade das famílias. Essas criariam propostas interativas, por exemplo, um compartilhamento de ideias entre as turmas ou palestras educativas. Desse modo, será construído na mente dos estudantes uma base de conhecimento mais flexível a respeito da população e da diversidade em seu meio. A partir disso será possível garantir-se uma sociedade mais acolhedora às várias formas de se construir uma família, de modo a prevalecer a inclusão sobre a exclusão, bem como defende o Estatuto das Famílias.