ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 08/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que se constituem como desafios da sociedade mitigar o problema de discriminação com as novas configurações familiares do contemporâneo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More.

Esse cenário antagônico é fruto tanto da colonização portuguesa, baseada no catolicismo, que perpetua a mentalidade, nas atuais gerações, de que a configuração familiar certa é a relação matrimonial entre um homem e uma mulher. Assim, esse pensamento permite a construção de uma ilusão que se deve seguir apenas a forma tradicional, já enraizada na sociedade, que resulta no preconceito com casais diferentes da regra imposta, como os LGBTs e mães ou pais solteiros. Em 2013, um projeto de lei do Estatuto da Família, visava limitar apenas às uniões entre homem e mulher, o qual causaria a anulação de milhares de adoções e casamentos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Precipuamente, é fulcral pontuar que o preconceito com as novas variações de família deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências.

Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, muitas pessoas ainda acreditam que o conceito de família consiste apenas em um homem, uma mulher e seus filhos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente. Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira.

Dessarte, com o intuito de mitigar o preconceito existente com o novo conceito de família, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania direcione capital que, por intermédio de professores e sociólogos será revertido em aulas, para debater sobre a importância da diversidade familiar na sociedade, além da necessidade de respeitá-las. Ademais, a abordagem deve ser feita com o intuito de, também, refutar argumentos preconceituosos e suas consequências, com auxílio de materiais didáticos sobre o assunto. Para que assim, a próxima geração cresça conscientizada sobre o assunto, a fim de que, dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do preconceito com a diversidade familiar, e a coletividade alcançará a Utopia de More.