ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 08/07/2020

A sociedade antiga julgava a família sendo composta por um homem, uma mulher e seus filhos. Todavia, no século XXI, novos tipos de organizações familiares estão sendo reconhecidas juridicamente e socialmente, tais quais as monoparentais e as homoafetivas. Contudo, o preconceito a essas estruturas, principalmente homoafetivas, ainda está muito presente na sociedade brasileira.

Nesse contexto, casais compostos por dois indivíduos do mesmo sexo vêm lutando por direitos igualitários. Em 2011, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi declarada legal a união estável homoafetiva e somente em 2013 foi permitido o registro, em cartórios, de casamentos gays - pessoas que se sentem atraídas por indivíduos do mesmo sexo. É perceptível, que a igreja católica ainda julga que esse tipo de união não está “no desenho de Deus”, não permitindo o matrimônio. A família monoparental (constituída por apenas um pai solteiro) já é reconhecida como legal pela Constituição Federal, porém não existe uma lei para as homossexuais, somente a jurisprudência. Desse modo, é cognoscível que ainda há direitos a serem conquistados.

Outrossim, o preconceito está fundido no pensamentos dos brasileiros, muitos não aceitam as famílias contemporâneas pois dentro de casa e nas escolas aprendem a imagem clássica familiar como a correta. A título de exemplo, Nina de 10 anos vinda de uma familia homoafetiva, foi solicitada pela escola, católica, que escrevesse uma redação sobre sua familia, assim como o resto da turma. Todas foram lidas em voz alta pelos alunos, porém, na vez de Nina não foi permitido pois sua familia “não era de Deus” (reportagem feita pelo jornal O Globo). Isso mostra o preconceito claro dentro das escolas, assim como as homenagens em dias especiais que contém uma noção de gênero antiquada. Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do Instituo Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) observa que “a família hoje é mais livre e verdadeira, mais autêntica. Sua essência não é mais um núcleo econômico e reprodutivo, mas sim um lócus da estruturação de um ser”.

Portanto, o preconceito começará a ser desfeito quando o brasileiro encarar o conceito de família como Rodrigo Pereira. Ademais, as escolas junto com as Secretárias de Educação devem não só trabalhar em sala de aula a família clássica mas as contemporâneas da mesma maneira. Além disso, as homenagens, feitas pelos alunos, nos dias das mães e pais não podem ter uma noção de gênero. Posto isso em prática, será construído desde a infância que todos o tipos de famílias são dignas. Desse modo, evita-se que o preconceito seja consolidado na infância e aos poucos eliminará o tratamento desigual.