ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 08/07/2020
O conceito de “família”, ao longo do tempo, passou por um processo de relativização. Com as novidades ideológicas, bem como os novos moldes familiares que passaram a independer de estruturas antigamente predeterminadas, fez-se com que a palavra fosse empregada em situações com menos condições, as quais eram postas como requisitos. “Grupo de pessoas que habitam a mesma casa e que possuem laços afetivos entre si”, ou até mesmo, “pessoas cujas relações foram estabelecidas pelo casamento, por filiação ou pelo processo de adoção”, demonstram a conotação do emprego atual.
De acordo com o filósofo francês Luc Ferry, hodiernamente, a família é a única entidade sagrada restante pela qual os ocidentais aceitariam morrer, caso fosse preciso. Tal afirmação ilustra as transformações do ser humano como espécie, ao descreditar fé e ideologias, sendo as famílias incumbidas do depósito de confiança e prestígio de cada ser. Analogamente, visto a elevação da relevância familiar para cada indivíduo, é evidente que o processo histórico favoreceria uma maior abrangência do termo, o que provocou o surgimento de novos modelos familiares, díspares dos tradicionais.
Exemplificando tal alegação, o seriado americano “Modern family” demonstra, por meio do humor e ironia, alguns exemplos dos moldes da família contemporânea, como por exemplo, segundo casamento, cônjuges de faixas etárias expressivamente diferentes, casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou até mesmo a tradicional família, com a mulher independente e destacada no mercado de trabalho. Apesar de ainda serem considerados novos, paulatinamente, ganham maior adesão social, mesmo que sejam constantes alvos de preconceitos e agressões verbais.
Destarte, é mister que o Ministério da Família e dos Direitos Humanos promova, por meio de verbas públicas, a divulgação de campanhas midiáticas que informem e exponham de maneira explícita os direitos constitucionais e devidas responsabilidades de cada cidadão brasileiro, bem como as penalidades existentes para o infringimento de tais constatações legislativas. Ao desprezar, insultar, ou submeter alguém a um tratamento desumano ou degradante em razão da estrutura familiar em que este se encontra, o sujeito deve arcar com as consequências de seus atos criminosos. Deste modo, será possível alertar a população e ressaltar a magnitude da questão pública para todos, combatendo o preconceito em diversos âmbitos, e tornando o país um lugar de convívio mais respeitoso e agradável, e, assim, promover a preservação do caráter sagrado das relações familiares, de forma que beneficie e abranja a todos e as mais plurais formas.