ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 18/09/2020
Para Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, algumas instituições contemporâneas perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Hodiernamente, um exemplo de instituição morta-viva é a família, que ainda representa, para parte da sociedade, a união heterossexual, tal qual a reprodução de seus genes e de suas tradições. Contudo, a manutenção desse modelo falido de núcleo familiar é insustentável, visto que apenas contribui para a perpetuação de preconceitos como o machismo e a homofobia.
Mormente, o culto a esse modelo retrógrado de núcleo familiar favorece a permanência de um dos piores preconceitos atuais: a inferiorização social da mulher. A esse respeito, a pensadora Simone de Beauvoir afirma que, ao decorrer da história, a mulher foi “rebaixada” à categoria de “segundo sexo”, incumbida de obediência, criação e submissão ao homem. Nesse sentido, a dita família tradicional, que valoriza os papéis de gêneros, auxilia a perpetuação do machismo, haja vista que, nesse tipo de contexto social, a mulher reproduz, involuntariamente, comportamentos supracitados pela Simone, além de estarem vulneráveis à possiblidade de violência física de seus próprios cônjuges, os quais são “legitimados” socialmente a castigarem suas esposas. Destarte, o conceito contemporâneo de família é apenas uma “fachada”, sendo ela o antro de tortura mental e física de várias mulheres.
Não obstante, a visão que a sociedade tem pela instituição familiar não só cria, como multiplica o preconceito sofrido por casais homoafetivos. Isso ocorre porque o corpo social, no Brasil, é influenciado, principalmente, pela religião cristã e por paradigmas machistas, a enxergar um único tipo de família: aquela formada pela união estável entre um homem e uma mulher, excluindo todas as outras configurações familiares, especialmente, aquelas formadas por pessoas de mesmo sexo. Tristemente, enquanto a sociedade enxergar dessa forma, esse será um dos principais vetores de homofobia e invisibilidade de uniões homoafetivas no Brasil.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) inserir, na grade curricular do ensino fundamental, uma matéria que aborde essa questão no contexto atual e deverá abordar as diferentes configurações de família, tal qual o respeito mútuo entre o homem e a mulher, mediante a docência de professores de pedagogia, os quais deverão ser preparados com um curso elaborado pelo MEC(Ministério da Educação e Cultura) em suas graduações, para que sejam capazes de instruir tal matéria dentro de salas de aula. Assim, espera-se que, em longo prazo, haja uma mudança no pensamento do que é família e, consequentemente, atenuar os problemas gerados por isso, como o machismo e a homofobia.