ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 19/09/2020
Para Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, algumas instituições contemporâneas perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Hodiernamente, um exemplo de instituição morta-viva é a família, que ainda representa, para parte da sociedade, a união heterossexual, tal qual a reprodução de seus genes e tradições. Contudo, a manutenção desse modelo falido de núcleo familiar é insustentável, visto que apenas contribui para a perpetuação de preconceitos como o machismo e invisibiliza outras configurações de famílias .
Mormente, o culto a esse modelo de núcleo familiar favorece a permanência de um dos piores preconceitos atuais: a inferiorização social da mulher. A esse respeito, a pensadora Simone de Beauvoir afirma que, ao decorrer da história, a mulher foi rebaixada à categoria de “segundo sexo” e incumbida pelos cuidados dos filhos, do lar e submissão ao marido. Nesse sentido, a dita família tradicional auxilia a perpetuação do machismo, uma vez que, nesse contexto social, ocorre a reprodução de papéis de gêneros, os quais foram supracitados pela Simone, tal qual a “legitimidade social” do poder do homem sobre a mulher, o que é evidenciado, infelizmente, pela quantidade preocupante de denúncias encaminhadas pela Lei Maria da Penha. Destarte, o conceito contemporâneo de família é apenas uma “fachada” e também o antro de tortura de diversas mulheres.
Não obstante, a visão que a sociedade tem pela instituição familiar ignora a existência de outras configurações familiares. Isso ocorre porque, no Brasil, há uma forte presença da cultura judaico-cristã, a qual valoriza e prioriza apenas famílias compostas por casais heterossexuais e exclui todo o restante, sejam mães solos, casais homoafetivos, pais solteiros etc. Dessa forma, não é incomum ver indivíduos, fundamentados em escrituras religiosas, propagarem preconceitos contra essas famílias, a exemplo da fala do pastor Silas Malafaia, o qual afirmou que “filho de homossexual será uma aberração igual a ele”. Tristemente, enquanto a sociedade enxergar dessa forma, esse será um dos principais vetores de homofobia e invisibilidade de outras famílias que não sejam formadas por um homem e uma mulher.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) inserir, na grade curricular do ensino fundamental, uma matéria que aborde os mais diferentes tipos de configurações de família, tal qual o respeito mútuo entre o homem e a mulher, mediante a docência de professores formados em pedagogia, os quais serão treinados pelo MEC (Ministério da Educação) com um curso em suas graduações. Assim, espera-se que, em longo prazo, haja uma mudança no pensamento do que é família e, consequentemente, atenuar os problemas gerados por isso, como o machismo e a homofobia.