ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 29/11/2020
No século XX, o conceito tradicional de família se referia a uma modelo tradicional patriarcal composto por um homem, o qual fazia o papel de pai e líder dentro do ambiente familiar, uma mulher, que se referia à mãe e dona de casa, e aos filhos. Entretanto, esse modelo rígido exclui as novas representações de famílias, as quais sofrem discriminação por não seguirem tal padrão. Nesse sentido, cabe analisar como a herança histórica somada à apatia do governo perante à causa culminam em uma sociedade intolerante, que não reconhece as novas composições familiares.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a mentalidade ultrapassada que permeia a sociedade é a principal responsável pela exclusão das família contemporâneas. Isso acontece, pois, em um passado histórico recente, era imposto que o conjunto familiar fosse composto apenas por um homem e uma mulher, e quem não seguisse esse padrão sofreria grande repulsa. Nesse âmbito, segundo a visão do sociólogo Zygmunt Bauman - na teoria da modernidade líquida -, a família anteriormente vista como algo de formação sólida, hoje adquire certa liquidez podendo apresentar diversos formatos. No entanto, a contemporaneidade vê certa dificuldade em aceitar os novos modelos de composição familiar. Consequentemente, casais homoafetivos, por exemplo, são alvos de intolerância por fugirem daquele padrão passadista.
Ademais, a evolução dos métodos contraceptivos, somados à inserção da mulher no mercado de trabalho, possibilitaram com que essa pudesse quebrar estereótipos e tornar-se independente para viver conforme suas escolhas, rompendo com o modelo de que o lugar da mulher é dentro de casa. Essa autonomia expandiu-se e serviu como espelho para o surgimento de outras configurações familiares baseadas no sentimento e não mais no modelo proveniente da coerção. Em contrapartida, mesmo após a conquista dessa autonomia, a falta de apoio do governo diante dessa questão, leva muitas famílias ao constrangimento e ao não reconhecimento da sua representação na atualidade.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para combater o avanço da problemática no país. Assim, a fim de abrandar o imbróglio, cabe ao Poder Legislativo - setor estatal responsável pela função legislativa - promover a expansão dos direitos àqueles que compõem os novos modelos familiares, por meio da criação de leis que garantam às novas famílias proteção e respeito. Além disso, cabe aos grandes veículos midiáticos a utilização das mídias como ferramenta de persuasão, por intermédio da criação e divulgação de propagandas, abordando a importância da coexistência e do respeito mútuo entre os diversos modelos de grupos domésticos. Dessa forma, o padrão tradicional de constituição familiar será superado e ocorrerá a naturalização das novas formas contemporâneas.