ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 24/01/2021
Historicamente as famílias surgiram durante a pré-história, no período conhecido como neolítico, que é caracterizado pela sedentarização dos homo sapiens e o surgimento de vínculos sanguíneos. Este fato é relevante, pois a organização famíliar se provou importante para o desenvolvivento humano, porque, por meio dela, são transmitidas crenças e aprendizados. Contudo, nos dias atuais, ocorrem alterações na estrutura da ‘‘família tradicional’’, tais mudanças geram um conflito na sociedade, em que a quebra dos costumes convencionais mostram toda a intolerância e preconceito que estão enraizados no âmbito social.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a falta de conhecimento, aliada aos dogmas religiosos, criam intolêrancia. Nesse sentido, famílias diferentes das usuais assustam os chamados ‘‘cidadãos de bem’’, que devido a falta de entendimento e familiaridade, juntamente com seus conhecimentos religiosos preestabelecidos, tendem a manifestar opiniões negativas ou até preconceituosas para tudo que foge do seu padrão. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo francês Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, já que seguindo essa linha de raciocínio, tal pensamento preconcebido e retrográdo, rompe toda a harmonia social, ou seja, prejudica a evolução coletiva.
Em segundo plano, é fundamental apontar a negligência governamental como impulsionadora do preconceito no Brasil. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política tem como função preservar a integração entre os indivíduos da sociedade. Todavia, tal afirmativa não tem sido aplicada corretamente na prática, visto que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), defende o modo tradicional de família. Além disso, como mostrado pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) em sua matéria intitulada ‘‘MDH extingue comitês de Gênero, Diversidade e Inclusão; especialista critica’’, o ministério dificulta a normalização dos novos modelos de organização social, por deixar a inclusão e diversidade fragilizadas, ao invés de fortalecê-las, tais atitudes ambíguas vão contra as ideias aristotélicas, em razão de segregar a sociedade em polos opostos.
Depreende-se portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível, que o MDH sofra uma reformulação completa comandada pelo Governo Federal. E a partir desse pressuposto, o novo MDH, por intermédio de campanhas publicitárias, conscientize a população sobre a diversidade e incentive a inclusão, a fim de normalizar e promover o surgimento de novas familías. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa e igual, onde o Estado recupera sua harmonia social e se alinha com as ideias de Aristóteles.