ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 04/07/2021
Família deve ser sinônimo de afetividade
Segundo o sociólogo francês, Émile Durkheim, fato social é qualquer norma imposta aos indivíduos pela sociedade. Desse modo, devido a raízes históricas, a sociedade tende a representar a configuração familiar intacta como modelo, utilizando-a na legislação ao prescrever os direitos da família. Contudo, esta representação é preconceituosa, pois, essa é apenas uma das diversas outras formas de se viver em família na sociedade contemporânea. Assim sendo, é necessário que a lei represente a diversidade, não a concepção retrógrada, que excluí.
Inicialmente, devido raízes históricas, a representação de família na Constituição tende a associar como modelo, a intacta, formada pela concepção de reprodução. Isso se deve, principalmente, a concepções religiosas, somado ao patriarcalismo, que tendem a associá-la como única configuração familiar. Porém, diante de uma teórica sociedade láica e igualitária, é necessário, que a lei represente a diversidade das formas familiares, para que todos tenham seus direitos assegurados.
Ademais, somado a isso, é necessário desconectar a concepção de família associada a configuração biológica e reprodutiva, mas relacionada ao afeto. No livro “Campo Geral”, de Guimarães Rosa, o protagonista Miguilim tem uma forte identificação afetiva pela mãe, Nhanina, sendo essa o laço que configura uma parte da amizade mais aprofundada. Dessa forma, do mesmo modo que a ficção, é necessário que se represente a família pela afetividade que conduz a humanização, não por concepções retrógradas e preconceituosas.
Dessa forma, tanto a legislação, quanto a representação social de associar a família a reprodução configuram como preconceitos contra a diversidade familiar da sociedade contemporânea. Portanto, o poder legislativo deve rever as leis que promovem os direitos das famílias, ou seja, mediante o acrécimo de todos os núcleos familiares existentes, diante da diversidade atual, para que todos tenham os seus direitos assegurados pela Constituição. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação, adicionem na base curricular de literatura das escolas, uma aba para discussão de aspectos profundos das obras, por meio da compra de livros literários, como o “Campo Geral”, assim, as criaças podem depreender concepções como família associada a afetividade e não pela questão biológica e reprodutiva.