ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 12/07/2021

Após a Primeira Guerra Mundial, em uma Europa devastada, difunde-se o pensamento existencialista, o qual busca pelo sentido da existência. Segundo Jean-Paul Sartre “A existência precede a essência” e portanto o homem é livre para se criar. Entretanto, a máxima não se estende de forma homogênea nos dias atuais, em virtude de uma moral pública tradicional na qual os possíveis arranjos que configuram a família contemporânea tornam-se vítimas de intolerância e preconceito. O conceito de família como a união de pessoas que se amam é positivo e representa um avanço, mas enfrenta desafios no convívio social. Nesse sentido, pode-se afirmar que o problema em questão tem como causas tanto a falta de informação das pessoas no que se refere à diversidade de gêneros sexuais, quanto a dificuldade em romper com um paradigma binário imposto pela sociedade.

Em primeiro plano, cabe mencionar que a visão engessada de um modelo familiar colabora para o crescimento da discriminação. Simone de Beauvior, em seu livro “O Segundo Sexo” defende a distinção entre sexo e gênero, sendo o primeiro um fator biológico e o segundo construído pela sociedade, padrões de ação e comportamento. A constante repetição do que é ser homem ou mulher repercute na vida adulta dos cidadãos. Constitucionalmente, o Estado garante proteção às famílias e, uma vez que, não se é diferenciado identidade e orientação sexual, negligencia-se pessoas que se diferem do que é tradicionalmente imposto e, por conseguinte, propaga-se a reversão às multiplicidades familiares.

Ademais, é importante ressaltar que, de acordo com o sociólogo Max Weber, o modo como os indivíduos agem pode ser explicado pela teoria da ação social tradicional, que consiste em reproduzir costumes adquiridos por tradições de forma irracional e não calculada. Dessa maneira, algo performático e social como o paradigma binário de gênero deve ser repensado, já que a heteronormatividade é imposta em desrespeito àqueles que nela não se encaixam. O patriarcalismo institucionalizado deve dar espaço à pluralidade da nova representação familiar, pois enquanto essas novas configurações continuarem a ser ocultadas, nunca serão representadas.

Diante do exposto, conclui-se que medidas são necessárias para solucionar o impasse. A escola enquanto instituição socializadora, é responsável por naturalizar essa nova face, promovendo o respeito e a integração. Nesse sentido, urge por parte do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Família e dos Direitos Humanos trabalharem a conscientização de crianças e adolescentes contra o sexismo, por meio de debates que informem e disseminem um discurso de igualdade e respeito às diversidades. Paralelamente, deve haver a criação de eventos para os novos modelos na comunidade escolar. Para que, assim, se possa construir uma sociedade mais tolerante e justa.