ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 21/10/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito ao bem estar como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática quando se observa a falta de compreensão da família contemporânea pela sociedade, dificultando, assim, a universalização desse direito social crucial. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse infeliz quadro.

Nesse cenário, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da importância da nova visão sobre a família, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema e, desse modo, reconhece uma família só como pai e mãe quando se analisa a rede responsável pela criança, tal cenário acontece em escolas, levando aquela criança acreditar que o modo como sua família é constituída é longe da ‘‘realidade’’, acometendo nela uma sensação de estranheza. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Outrossim, a omissão dos meios de comunicação acerca da família contemporânea é outro fator que corrobora para a manutenção da problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa óptica, é possível notar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre como os vários modos de constituição de uma família, de duas mães até dois avôs, colabora com a propagação do preconceito e deslegitimação de uma família não moldada nos padrões culturais, haja vista que a mídia ganha em cima de idealizações, tal como a ‘‘família margarina’’ que vende um conceito de família ideal. Em razão disso, é inadmissível que esse cenário se mantenha.

Entende-se, portanto, a temática como um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos, com o objetivo de mostrar que há uma pluralidade familiar a ser observada, pontuar as consequências dessa validação não feita pela sociedade, apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula com debates sobre a família de cada um. Assim, os bem-estar outorgado pela Constituição será garantido.