ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade

Enviada em 18/10/2021

Na série canadense “Anne With an “E”” é retratada a realidade da jovem órfã Anne e a exclusão sofrida por ela devido a sua forma de organização familiar distinta do tradicional, sendo criada pelo casal de irmãos Matheu e Marilla Cuthberg. Fora da ficção, atualmente, o conceito de família estende-se visando representar grupos de pessoas que convivem entre si cotidianamente nas mais diversas configurações, porém, na prática, o reconhecimento de tal pluralidade não é concretizado. Nesse sentido, esse fenômeno de organização familiar multifacetada, por mais que crie gerações menos preconceituosas, ainda é tratado com descaso pela sociedade.

Nesse cenário, inicialmente, a criação de jovens imersos em formações afetivas distintas do tradicional é extremamente positiva, pois forma cidadãos livres de preconceito. De acordo com o Dr. Drauzio Varella, em seu artigo intitulado “Violência Epidêmica”, o comportamento das crianças é construído por imitação. Sob essa perspectiva, os infantes, ao conviverem em um ambiente de pluralidade e ao observarem as diferentes formas de organização familiar existentes em seu entorno, desenvolvem o senso de normalização da diversidade, tornando-se adultos sem preconceito e discriminação. Essa realidade reforça a importância das famílias contemporâneas na quebra de paradigmas sociais.

Entretanto, mesmo que o panorama futuro de descontinuidade de preconceitos seja positivo, essa construção é feita em uma atualidade imersa em negligência social. Segundo o escritor modernista Lima Barreto, “O Brasil não tem povo, tem público”. Sob tal viés, além da omissão da sociedade no apoio às famílias contemporâneas, há a passividade na desconstrução de discriminações pelas famílias tradicionais, o que fortalece o julgamento para com tais grupos e dificulta a formação de cidadãos livres de preconceito. Tal cenário exemplifica a urgência de mobilização da população na quebra desses estigmas e no apoio às organizações afetivas mais diversas.

Portanto, medidas capazes de encerrar a passividade da sociedade para com as causas das famílias contemporâneas devem ser tomadas. Para tal, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos- órgão responsável por garantir o bem-estar coletivo- deverá promover uma campanha publicitária nas redes sociais, como o Instagram, alertando a população sobre a importância de unir-se à quebra de ações discriminatórias por meio de proposta de Lei entregue à Câmara dos Deputados. Dessa forma, afim de garantir o engajamento dos setores sociais para com as causas e lutas das diferentes configurações familiares, um futuro livre de preconceito será construído de forma conjunta, o que afastará a discriminação vivida pela família de Anne da realidade.