ENEM PPL 2009 - A família contemporânea e o que ela representa para a sociedade
Enviada em 22/10/2021
Policarpo, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a falta de compreensão da família pela sociedade torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e silenciamento midiático como pilares fundamentais da chaga.
Nesse cenário, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulos ao debate a respeito da importância da nova visão sobre a família no Brasil hodierno, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema. Desse modo, a população não reconhece e legitima os vários modos de constituição familiar, já que não possui informações acerca das consequências psicológicas de uma padronização familiar para aquelas que diferem desse modelo. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para consolidação do progresso sociocultural habermaseano.
Outrossim, a omissão dos meios de comunicação quanto à família contemporânea é outro fator que corrobora com a problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa óptica, é possível notar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre como os vários modos de constituição de uma família, de duas mães até dois avôs, colabora com a propagação do preconceito e deslegitimação de uma família não moldada nos padrões culturais, haja vista que ela ganha em cima de idealizações, tal como a ‘‘família margarina’’ que vende um conceito de família ideal. Em razão disso, é inadmissível que esse cenário se mantenha.
Entende-se, portanto, a temática como um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos, com o objetivo de mostrar que há uma pluralidade familiar a ser observada, pontuar as consequências dessa validação não feita pela sociedade, apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula com debates sobre a família de cada um. Assim, nos aproximaremos do Brasil sonhado por Policarpo.