ENEM PPL 2010 - Ajuda Humanitária
Enviada em 09/05/2020
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é um “organismo vivo” que se transforma constantemente. De fato, ao estudar as transições das sociedades mecânicas, simples, para as orgânicas, complexas, é possível entender as mudanças sociais, suas mazelas, a influência das revoluções industriais, do capitalismo e das novas tecnologias nesse processo. Sendo assim, diante desse novo contexto socioeconômico, moldado pelo individualismo e isolamento sócio-tecnológico, torna-se um desafio estimular a solidariedade.
É imprescindível, a priori, salientar as profundas transformações nas sociedades contemporâneas. Com efeito, a partir, sobretudo, da 1ª Revolução Industrial e consolidação do capitalismo, criou-se um estilo de vida baseado no consumismo e uso de novas tecnologias com a finalidade de oferecer mais conforto-automóveis, celular-, nem sempre socialmente acessíveis. Além disso, fazem parte dessas mudanças a degradação da natureza e o distanciamento social gerado pelo individualismo, favorecido pelas redes sociais. Sem dúvida, a busca pelo sucesso pessoal, seja por meio do trabalho, poder aquisitivo e/ou estético, tem, cada vez mais, isolado o indivíduo em torno dos seus interesses, comum às sociedades orgânicas de Durkheim, afastando-o dos costumes coletivos, como a solidariedade.
Diante desse quadro, é importante acrescentar que a descoberta da internet, aparelhos- celular, computador-, e aplicativos, como Netflix e Youtube, maximizam o individualismo e isolamento, modificando, dessa forma, as relações sociais. De fato, esse tipo de interação é abordado no livro “amor líquido” do sociólogo Zygmunt Bauman, no qual alerta sobre a fragilidade das relações afetivas e sociais da contemporaneidade. Logo, diante do panorama supracitado, é óbvio o resultado: uma humanidade desprovida de um senso de solidariedade e sentimento de doação coletiva. Todavia, em momentos de calamidades e crises- rompimento das barragens de Brumadinho e Mariana e vazamento de petróleo no Nordeste-, é possível presenciar o afloramento do espírito solidário por parte de alguns, seja através de doações, presença física e o uso das tecnologias, paradoxalmente, favorecendo as relações sociais na pandemia do Covid 19.
Fica claro, portanto, que estimular a solidariedade em meio a cultura capitalista é desafiador. No entanto, o Ministério da Educação deve investir junto às Secretarias Municipais em projetos de conscientização da importância da solidariedade, por meio de palestras com toda a comunidade escolar e criação de aplicativos, como o “Tem açúcar?”, “Be me Eyes” , com a finalidade de unir e sensibilizar as pessoas na busca de soluções em momentos de necessidade. Isso, favorecerá o aumento da generosidade das sociedades orgânicas contemporâneas.