ENEM PPL 2010 - Ajuda Humanitária

Enviada em 25/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como marca um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a baixa ajuda humanitária torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da negligência estatal e do silenciamento midiático.

A priori, vale destacar a falta de compromisso do Estado com pessoa em situação de calamidade. Nesse sentido, ONGs como a VIVA, ajudam o coletivo afetado por desastres ambientais, como em 2010, quando essa promoveu uma discussão acerca dos desabrigados após o terremoto no Haiti, angariando fundos para a reconstrução de suas casas. Diante disso, se vê uma omissão do Estado nesse assunto, dado que foi extremamente necessário a presença das diversas ONGs como meio de ajuda. Essa conjuntura, de acordo às ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do ‘’Contrato social’’, já que o Estado não cumpre corretamente sua função de garantir que os cidadãos gozem de direito imprescindíveis como ao bem-estar social e a saúde, o que infelizmente, é evidente no país.

Ademais, a falta de ajuda humanitária encontra forma de expansão na mídia. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado como mecanismo de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão. Nesse viés, é possível notar que a mídia, geralmente, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da conjuntura social, colabora para a propagação do problema, visto que a omissão dos meios de comunicação acerca dos de como auxiliar, procurar e reportar pessoas em condições precárias de existência ocasiona a falta de conhecimento da sociedade a respeito dessa problemática, dificultando sua erradicação. Assim, a mídia perpetua essa triste realidade.

Entende-se, portanto a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar a visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Governo Federal deve destinar um auxílio às pessoas afetadas pelas catástrofes. Para que o Governo cumpra seu papel corretamente seu papel como no ‘‘Contrato social’’ de Locke