ENEM PPL 2010 - Ajuda Humanitária

Enviada em 08/10/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a falta de ajuda humanitária - grave problema a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia – reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse dos órgãos públicos em promover medidas públicas que estimulem práticas beneficentes, fato que prejudica a sociedade como um todo, uma vez que os direitos intransigentes de muitas são negligenciados pela carência de amparo e ajuda, que poderiam ser estimulados pelo governo ao fortalecer o ponto de vista coletivo da sociedade, fato que tem grandes impactos, visto que, com base em dados da ONU (Organização das Nações Unidas), 168 milhões de pessoas precisaram de ajuda humanitária em 2020. Portanto, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso é devido ao fato de que, com as novas relações sociais, os indivíduos se veem distantes dos problemas, que deveriam ser considerados grupais, assim não se atentando a ajudar ao próximo. Na obra “Modernidade Líquida” , Zygmunt Bauman defende que a pós- modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, a vulnerabilidade de grupos sociais carentes, haja vista que, por conta da valorização do individual em detrimento do coletivo, típico da sociedade atual, mecanismos filantrópicos não são aplicados. Assim, essa liquidez que influi sobre a questão da falta de altruísmo funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Entende-se, portanto, o cenário como tendo raízes administrativas e sociais. Logo, é imprescindível que o Ministério das Comunicações - por intermédio da inclusão nas Diretrizes Orçamentárias - promova, por meio da mídia, a divulgação de depoimentos de pessoas que foram atingidas positivamente pelas práticas beneficentes a fim de desenolvero bem empático na sociedade, assim como mostrar os benefícios da caridade. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel social, bem como o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.