ENEM PPL 2012 - O grupo fortalece o indivíduo

Enviada em 04/09/2019

Na perspectiva humanista de Hannah Arendt, uma das mais influentes filósofas do século XX, o poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo permanece unido. Nesse sentido, é correto dizer que, na visão da autora, o indivíduo é fortalecido pelo grupo. De maneira análoga, no Brasil, a sociedade ainda é pouco instigada a unir-se e lutar por objetivos em comum, o que enfraquece as pautas necessárias à população. Assim, é lícito afirmar que  se por um lado, brasileiros ainda caminham para o hábito de ação para efetivar seus direitos, por outro, exemplos de união entre semelhantes já provaram ser eficazes no país.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte da sociedade civil, uma caminhada lenta rumo à luta por direitos mediante a união em grupos. Essa lógica é evidenciada no cotidiano nacional desde junho de 2013, quando grandes manifestações populares contra a corrupção e a Copa do Mundo ocorreram no país e mudaram para sempre o olhar da população para com o poder de agir em conjunto. Desse modo, os brasileiros visualizam, aos poucos, o poder e fortalecimento que o grupo pode fornecer ao indivíduo. Logo, é substancial que os cidadãos sejam incentivados a pôr sua cidadania à prova e mobilizarem-se contra o que consideram abusos por parte daqueles que detém mais poder.

Outrossim, é imperativo pontuar que mobilizações coletivas na história recente do Brasil já surtiram efeitos extremamente positivos. Prova disso foi a greve dos caminhoneiros realizada em 2018, que mostrou à sociedade a relevância que esses profissionais têm no cotidiano nacional. Naquele ano, insatisfeitos com o aumento das tarifas do óleo diesel, os motoristas de caminhão decidiram cruzar os braços nas estradas de todo o país o que resultou em uma crise de desabastecimento de alimentos no Brasil. Em decorrência desse fato, o Governo aceitou aceitou as reivindicações da categoria, o que exemplificou à sociedade civil o quão poderosa pode ser um grupo disposto à mudança.

Infere-se, portanto, que o grupo é uma ferramenta primordial de efetivação da dignidade do indivíduo. Posto isso, o Ministério Público Federal - enquanto órgão máximo de defesa de direitos dos brasileiros - deve, por meio de campanhas na mídia televisiva e palestras em escolas e universidades, convidar a população a estar atenta a seus direitos e informá-la a respeito do seu poder de mobilização conjunta como mecanismo de efetivação da cidadania. Com essa ação, tal órgão deve objetivar, principalmente, fazer com que o brasileiro desenvolva uma mentalidade contestadora e questione o ‘‘status quo’’ da administração pública. Desse modo, o pensamento de Hannah Arendt poderá ser visualizado na prática.